As Cruzes nas Religiões e Culturas

Por: Ryath
Com compilações feitas por Eterno Aprendiz - Michel
A cruz é o símbolo do Cristianismo, mas, como Jesus foi pregado em uma cruz, isso indica que esse símbolo já existia antes da religião cristã.
Na verdade, a cruz é muito antiga e universal. Encontramos esse símbolo nas mais diversas culturas e religiões, inclusive em tribos ancestrais.
O símbolo da cruz é uma figura geométrica formada por duas linhas que se cruzam em ângulos de noventa graus, normalmente uma linha na vertical e outra na horizontal. Quando está na diagonal, recebe o nome de sautor ou aspa.
No Cristianismo, com o culto à morte de Jesus, a cruz passou a simbolizar o sofrimento. Porém, cosmicamente e universalmente, ela possui outros significados, como a fé, o equilíbrio e a iluminação.
Lembramos que Jesus morreu em sofrimento para que não sofrêssemos. No entanto, no culto ao sofrimento de Jesus, muitas vezes acabamos sofrendo emocionalmente ao imaginar a dor vivida por nosso querido Mestre. Jesus não desejava que sofrêssemos; talvez fosse mais coerente um culto que nos ajudasse a transcender o sofrimento, e não a fixar nele.

Cruzes
O Vajra Duplo
A Cruz Tibetana, ou Vajra Duplo, é formada por duas barras de Vajra que se cruzam, representando as linhas da cruz.
O Vajra simboliza a essência espiritual indestrutível. Somos seres eternos em essência; o que morre é apenas o corpo físico.
Assim como o diamante, o Vajra corta a ignorância e a ilusão, conduzindo à sabedoria, que é o entendimento correto da realidade. Ele também representa o relâmpago, que dissipa a escuridão da ignorância e traz clareza mental.
No Budismo Tibetano, o Vajra simboliza o método unido à compaixão, à sabedoria e à vacuidade, resultando na iluminação. A fé também é capaz de nos conduzir à iluminação, e a cruz, em muitos contextos, simboliza exatamente esse estado iluminado.
O número um é o número da fé. No capítulo 1 do I-Ching, que é um oráculo composto por 64 capítulos — cada um representando um aspecto do divino — fala-se sobre a iluminação. Uma vez, ao perguntar sobre a iluminação ao I-Ching, obtive justamente o capítulo 1 como resposta.


Ankh – A Cruz Egípcia
Também conhecida como Cruz Ansata, era, na escrita hieroglífica egípcia, o símbolo da vida e da vida eterna. Os egípcios a utilizavam para representar a continuidade da existência após a morte.
A Cruz Egípcia possui um círculo na parte superior e três linhas formando ângulos de 90 graus. O círculo simboliza o útero divino que gera tudo, enquanto as três linhas representam a trindade divina.


A Chakana
Chakana, também conhecida como Cruz Andina, é um dos símbolos mais sagrados das civilizações andinas, especialmente dos povos quéchua e aimará. Ela representa a conexão entre os três mundos da cosmovisão andina: Hanan Pacha (o mundo superior, espiritual), Kay Pacha (o mundo do meio, onde vivemos) e Uku Pacha (o mundo interior ou subterrâneo, ligado ao inconsciente e aos ancestrais).
Sua forma escalonada simboliza os degraus da consciência, o equilíbrio entre corpo, mente e espírito, e a harmonia entre o ser humano e a natureza. No centro da Chakana está o ponto de origem, o eixo que une todos os planos da existência, lembrando que tudo parte do Uno e a Ele retorna.


Cruz de Tau
Utilizada pelos franciscanos no Cristianismo.
A cruz latina é o símbolo mais conhecido do Cristianismo e representa a morte de Jesus na chamada Vera Cruz.


A Cruz no Cristianismo e na História
Um dos símbolos mais utilizados na religião é a cruz. A Encyclopædia Britannica chama a cruz de “o principal símbolo da religião cristã”. Em um julgamento na Grécia, a Igreja Ortodoxa Grega chegou a afirmar que aqueles que rejeitam a “Santa Cruz” não são cristãos.
Foram encontrados diversos objetos, datando de períodos anteriores à Era Cristã, marcados com cruzes de diferentes formas em quase todas as partes do mundo antigo. Índia, Síria, Pérsia e Egito produziram muitos exemplos, assim como diversas regiões da Europa desde o final da Idade da Pedra. O uso da cruz como símbolo religioso em tempos pré-cristãos pode ser considerado quase universal, frequentemente associado a cultos da natureza.
— Encyclopædia Britannica, 1946, Vol. 6, p. 753.
Concernente aos cristãos do primeiro século, a obra History of the Christian Church afirma que não se utilizava o crucifixo nem representações materiais da cruz. O símbolo do peixe (Ichthys) era mais comum entre os primeiros cristãos.
No entanto, a cruz passou a ser associada ao Cristianismo a partir do segundo século, tornando-se progressivamente um símbolo central, conforme relatado por Clemente de Alexandria, Tertuliano e outros autores cristãos antigos.
Alguns estudiosos consideram que a cruz foi adotada pelo Cristianismo por seus significados metafísicos, enquanto outros sugerem que ela teve origem em símbolos pagãos anteriores, como o Tau associado ao deus Tamuz na antiga Caldeia.


Cruz Heráldica       
A cruz heráldica simples apresenta braços de mesmo comprimento, acompanhando as proporções do escudo.


Cruz em Trevo       
Com as extremidades dos braços em forma de trevo.


Cruz de Portugal   
A cruz da Ordem de Cristo de Portugal é uma cruz vermelha e cada um dos seus braços é barrado.


Cruz Recruzada
Cada um dos braços da cruz é barrado.


Cruz de Jerusalém
Foi a insígnia do Reino Latino de Jerusalém, que existiu por cerca de duzentos anos após a Primeira Cruzada. As quatro cruzetas nos cantos simbolizariam ou os quatro Evangelhos ou as quatro direções nas quais a palavra de Cristo se espalhou, a partir de Jerusalém. Ou as cinco cruzes podem simbolizar as cinco chagas de Cristo durante a Paixão.


Cruz Florescida      
As extremidades dos braços têm forma semelhante à flor-de-lis.


Cruz Bifurcada (fourchée)    
Com as extremidades em forma de garfo.


Cruz de Malta        
Seus braços estreitam na direção do centro e são chanfrados nas extremidades. Também conhecida como Cruz de São João.


Cruz Ancorada (moline)        
Suas extremidades são divididas e as pontas resultantes são curvadas.


Cruz Patonce
Intermediária entre a cruz pátea e a florenciada. Algumas fontes a chamam de Cruz floreada.


Cruz Pátea     
Seus braços se estreitam na direção do centro, mas não apresentam extremidades chanfradas.


Cruz de Cantuária
Mais similar à Cruz Pátea, mas com braços convexos a sus extremidades. Associada com a Igreja da Inglaterra.


Cruz Arménia
Também conhecida como cruz floreada; uma cruz latina com braços chanfrados e dois trifólios nas extremidades. Associada com a Arménia, onde é presente nos lápides e memoriais (khachkars).


Cruz Bordonada (pommée)  
Com as extremidades em forma de bordão.


Cruz Potenteia       
Suas extremidades são barradas.


Cruz de Lorena      
Uma cruz com duas barras horizontais. Este símbolo está associado com Lorena e França Livre, e também está presente em os brasões da Eslováquia, Hungria e Lituânia.


Quadrática
Uma cruz com um quadrado no ponto de intersecção.


Cruz Românica de Consagração   
Tripla e entrelaçada.


Cruz Oca
Também conhecida como Gammadia, é uma Cruz Grega com a parte central dos braços removida. “Gamadia” vem da aparência de quatro letras gregas gama agrupadas.


Cruz Tetragrâmica
Também conhecida como Cruz Sérvia, é uma cruz grega com quatro letras em cada canto que, originalmente, foram consideradas como letras gregas beta. Foi associada com o Império Bizantino, e as letras foram os iniciais do frase grego que significa: "Rei dos reis governando sobre reis". Hoje, está associada com a Sérvia, presente no brasão e na bandeira do país, e com a Igreja Ortodoxa Sérvia. As letras, por aparência, são consideradas como letras cirílicas "C" (S no alfabeto latim).


       
Cruz de Santo André (decussata)
A cruz decussata, conhecida também pelos nomes de sautor ou cruz de Santo André, é um símbolo heráldico na forma de cruz diagonal ou na letra X. Segundo a tradição cristã, o apóstolo André foi martirizado em uma cruz desta forma. Este símbolo também está presente em várias bandeiras, brasões e selos como nas bandeiras da Escócia e Jamaica.


Cruz Nórdica  
Também conhecida como cruz escandinava, é um símbolo heráldico na forma de cruz com o braço a direita mais longa que os outros. Foi originalmente associado com a bandeira da Dinamarca, e é hoje presente nas bandeiras de todos os países escandinavos.


Cruz Hindu
Cruz Hindu, ou Suástica, é um símbolo muito antigo que foi distorcido historicamente por Hitler ao ser invertido e associado a ideologias negativas. Em sua forma original, é um símbolo positivo.
Assim como a cruz invertida é considerada negativa em certos contextos, a suástica invertida também carrega significados distintos. Em sua origem, a Cruz Hindu simboliza prosperidade, boa sorte, equilíbrio e o movimento da vida.
Na tradição hindu, representa a energia cósmica em ação, o ciclo eterno de criação, manutenção e transformação do universo. Seus braços indicam o movimento do Sol, os quatro pontos cardeais e a ordem natural regida pelo Dharma. Longe de qualquer uso moderno distorcido, é um símbolo sagrado de harmonia, luz e auspício, presente em templos, rituais e celebrações na Índia.


Cruz Ortodoxa
Uma cruz com duas barras horizontais e uma barra diagonal. A barra diagonal aponta para a esquerda, simbolizando o criminoso virtuoso que estava à esquerda de Jesus durante a crucificação. Este símbolo está especialmente associado à Igreja Ortodoxa Russa.


 

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