Por: Ryath
Tudo está em nossa mente, como ensina o Budismo, e aquilo de que não nos lembramos encontra-se em nosso inconsciente.
Resgatar os conteúdos de nossa mente que não estão acessíveis à parte consciente, pois estão no inconsciente, é o autoconhecimento; é o processo de conscientização.
Nós reprimimos constantemente coisas que podem causar alguma perturbação, coisas com as quais não conseguimos lidar direito e coisas que causam sofrimento. Essas coisas podem ser percepções, memórias, pensamentos e até mesmo emoções.
O fundador da Psicologia Analítica, Carl Gustav Jung, diz que, no centro de nosso inconsciente — que faz parte da anatomia invisível da mente — estão os principais conteúdos que reprimimos. Esses conteúdos foram reprimidos com tal violência que suas manifestações em símbolos e sonhos aparecem na forma de monstros, figuras assustadoras e agressivas.
Monstros, figuras assustadoras e agressivas também aparecem nas divindades coléricas ou iradas do Budismo Esotérico, Tibetano ou Vajrayana. Porém, elas são formas simbólicas dessas deidades se manifestarem, pois não são más.
As práticas do Budismo Esotérico, como as visualizações de divindades iradas que aparecem em mandalas, assim como os mantras dessas deidades, têm a função de nos mostrar esses conteúdos do inconsciente que reprimimos — justamente aqueles que aparecem de forma monstruosa em símbolos, mitos e sonhos.
As deidades iradas assumem uma forma monstruosa, ou simbolizam essa forma, para que possamos entrar em contato com essa natureza reprimida de nosso inconsciente. Assim, elas nos mostram essa parte interior e nos ajudam a adquirir autoconhecimento.
Carl Jung se impressionou fortemente com as mandalas e os símbolos tibetanos, associando-os ao nosso inconsciente, que pode ser tanto pessoal (pertencente apenas a nós mesmos) quanto coletivo (pertencente a toda a humanidade).
Nosso inconsciente tem uma parte pessoal, que pertence somente a nós, mas também possui uma parte comum a toda a humanidade, composta por símbolos e arquétipos universais. Jung explicou isso como uma herança biológica presente em todos os seres humanos.
Nosso inconsciente se expressa muito por meio de símbolos, e as religiões possuem, em seus rituais, símbolos sagrados que lidam com energias. Essas energias trabalham, entre outras coisas, o autoconhecimento.
As divindades do Budismo são energias, entidades e símbolos que, na grande maioria das vezes, trabalham o autoconhecimento, mas também podem atuar em outras áreas, como limpeza energética, cura e prosperidade.
Existem deidades pacíficas e deidades iradas.
Na Umbanda, as entidades da esquerda também trabalham com nosso inconsciente. Muitas vezes são representadas de forma obscura e trazem à tona nossa parte reprimida.
Essas entidades frequentemente falam sobre nossas sombras interiores e sobre aquilo que precisa sair da repressão, ajudando-nos em nosso processo de autoconhecimento.
A ritualística das religiões é fascinante; é uma ciência divina que os iniciados aprendem e estudam.
A palavra deidade vem de divino, assim como divindade.
As divindades do Budismo, assim como os seres da esquerda na Umbanda, não são seres trevosos, mas sim seres de luz que nos mostram nossa parte sombria para que ela diminua e nossa luz aumente.
Quando enxergamos nossas sombras, aumentamos nossa luz.
Fiquem com luz.
Seres de luz.




