Jung e a Espiritualidade – Algo Profundo

Por: Ryath
Para Jung, a espiritualidade é uma necessidade e um instinto natural, que nos leva ao autoconhecimento.
A espiritualidade, para Jung, também é uma dimensão vital, que não pode ser tratada como um tabu, como fazem muitos cientistas, já que a religião perseguiu e condenou a ciência por muito tempo.
Para Jung, a espiritualidade atravessa diversos de seus conceitos psíquicos, pois, claro, faz parte do psiquismo humano.
A espiritualidade atravessa os conceitos de consciente e inconsciente, pois traz o autoconhecimento e, com isso, nos leva a uma conexão com o nosso Self, que é o centro da personalidade e a organiza, trazendo conteúdos que antes eram desconhecidos, estavam inconscientes e passam a se tornar conscientes, à medida que a pessoa aprende sobre si mesma.
Tudo o que vivenciamos está em nossa mente, mas muita coisa não lembramos e não está acessível; assim, destravamos essas lembranças e, consequentemente, aprendemos mais sobre nós mesmos.
A espiritualidade se expressa por meio de experiências pessoais, símbolos e o contato com o sagrado, que Jung chamava de Numinoso. Assim, ela atravessa diversos conceitos da Psicologia Junguiana, ou Analítica.
Para Jung, a experiência espiritual não era necessariamente religiosa; ela poderia não ser, pois a espiritualidade é livre, faz parte da psique e da ligação com o sagrado. A organização religiosa, com sua linguagem, divulga e, muitas vezes, se diz detentora do sagrado, mas não é; ela apenas institui e organiza o conhecimento e uma forma de crença, o que não é errado ou ruim — ajuda.
A espiritualidade é livre, mas a religião, quando há pessoas manipuladoras, tenta mostrar que não é, para se tornar detentora de algo que é livre. É aí que entra a crítica de Jung à religião: não devemos apenas seguir normas cegamente, mas viver a experiência religiosa por nós mesmos. Devemos desenvolver nossa própria experiência do sagrado e não somente nos contentar em ler e acreditar no que se diz, mas, sim, vivenciar.
Jung defendia uma experiência pessoal do sagrado, e não apenas seguir dogmas ou uma crença religiosa, mas ir além disso.
A experiência do sagrado, do Numinoso, serve como um catalisador para a transformação pessoal e o autoconhecimento, que é o que Jung chamava de individuação.
Em sua teoria, Jung identificou arquétipos no inconsciente coletivo, que é uma camada da qual não temos consciência, compartilhada por toda a humanidade, algo universal.
A experiência religiosa faz os seres humanos entrarem em contato com seus arquétipos, o que pode ser algo muito positivo, desde que não haja fanatismo ou desequilíbrio religioso, que afetam negativamente a vida psíquica.
Jung identificou um arquétipo no inconsciente coletivo que remete a Deus: o arquétipo da união e da totalidade, que é o Self; e a espiritualidade nos conecta com ele.
Indo mais além: em experiências místicas, as pessoas se sentem unidas a Deus e a tudo o que existe, não vendo separação entre si mesmas e o restante, tendo uma visão não individual, mas coletiva. Isso é chamado de misticismo ou de expansão da consciência, tema tratado na chamada Quarta Força da Psicologia, a Psicologia Transpessoal, movimento do qual Jung é um dos principais responsáveis.
Para Jung, o Numinoso é o contato com algo maior, transcendente, que desperta reverência.
A espiritualidade é essencial para a saúde psíquica do ser humano.

 

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