Jung e o Cristianismo

Por: Ryath
Jung se considerava cristão, pois se baseava em conceitos dessa religião e buscava a espiritualidade e o autoconhecimento, ou seja, procurava perceber os conteúdos presentes em seu inconsciente, suas “trevas interiores”, para assim se libertar delas.
É ao enxergar a escuridão que ela desaparece, pois a escuridão se dissipa com a luz.
Assim, precisamos reconhecer nossa propensão aos “pecados”, como orgulho, inveja, vaidade e cobiça, para então superá-los. Na verdade, é necessário enxergar e assumir.
Jung mantinha uma relação profunda com as religiões, pois via nelas conteúdos psíquicos importantes. Ele utilizou elementos religiosos em seus métodos terapêuticos, desde o I Ching até as mandalas.
Jung afirmava que os vitrais das igrejas católicas podem ser compreendidos como mandalas.
Para ele, as religiões — e o Cristianismo — são baseadas em verdades profundas. Isso pode parecer evidente hoje, mas nem sempre foi assim.
Jung estudou a Bíblia como forma de compreender a psique humana, ou seja, o que o ser humano é em sua interioridade.
Seu estudo aprofundado das religiões o levou a perceber que os símbolos religiosos fazem parte do inconsciente coletivo e dos arquétipos, conceitos que ele desenvolveu.
Jung via a Santíssima Trindade como um arquétipo muito poderoso, um símbolo de totalidade e de comunhão.
Para ele, a Trindade é uma imagem que representa o Si-mesmo, a totalidade do ser humano, o processo de autoconhecimento, o equilíbrio e a integração dos opostos.
Trata-se de um tema que Jung investigou de forma profunda.
A Trindade, para Jung, indica que a unidade não é solitária, mas uma comunhão de relações.
No papel do Filho, representado por Jesus, Jung via a experiência do divino vivida no plano terreno.
Segundo suas interpretações, Jesus representa o ego e a consciência, que devem se relacionar com o divino — o Pai e o Espírito Santo —, que simbolizam a totalidade da psique. Esse processo corresponde à integração do ser, ou seja, ao autoconhecimento.
Há relatos de que Jung utilizou leituras da Bíblia no tratamento de uma paciente com esquizofrenia, que ouvia vozes. A leitura ajudou na concentração e contribuiu para evitar a desintegração psíquica.
Jung via o Cristianismo como uma força em constante evolução.
A humanidade evolui, assim como o conhecimento.
As instituições religiosas buscam preservar certos conceitos tradicionais. Isso pode ser importante e benéfico, mas também pode dificultar a atualização de algumas ideias.
Por outro lado, essas instituições também ajudam a proteger a religião de interpretações negativas ou destrutivas que podem surgir com mudanças no pensamento humano.
Jesus Cristo, assim como Buda, Lao-Tsé, Confúcio e muitos outros, foi um grande mestre da espiritualidade humana. Ensinou, à sua maneira, o bem, a ética, a moral, o amor e o desenvolvimento desse amor por meio do autoconhecimento.
Jung também fez críticas às religiões, como a ideia de que a experiência religiosa deveria ser vivida, e não apenas aceita por meio de dogmas.
Na experiência espiritual, é possível sentir o divino — e aí está a diferença entre dizer:
– Eu acredito em Deus.
– Eu sei que Deus existe.
Jung esteve envolvido no desenvolvimento da chamada “Quarta Força” da Psicologia, a Psicologia Transpessoal, que aborda experiências místicas, nas quais o indivíduo se sente integrado a outras consciências e ao todo.
No misticismo cristão, destacam-se figuras como São Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá, Santo Agostinho, entre outros.
As experiências místicas são experiências pessoais e vivenciais, não se limitando a crenças ou dogmas, mas sendo algo sentido profundamente.

 

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