Por: Ryath
Se observarmos o mundo físico, veremos que ele é totalmente impermanente e está em constante transformação. O monge Genshô nos lembra que locais gloriosos, como as ruínas gregas, já viveram seu período de grande esplendor, mas hoje estão marcados pela impermanência, pois a degradação também chegou até eles.
Até mesmo nossa vida psicológica é impermanente. Se tivemos uma vivência muito boa em determinado lugar e desejarmos voltar a ele por causa daquela experiência, não teremos uma vivência idêntica à do passado, e nada garante que ela será novamente tão boa. Isso diz respeito ao nosso mundo interior, que está sempre vivenciando cada situação de maneira única.
Mesmo tentando repetir uma experiência, ela nunca será exatamente igual. Isso não é necessariamente algo ruim, pois evita a monotonia. Cada vivência é única e, para vivermos bem, cabe a nós buscar a felicidade.
O Budismo fala muito sobre superar o sofrimento ou a insatisfação. Segundo esta compreensão, esses dois elementos não desaparecem completamente quando se atinge o Nirvana. Entretanto, surge algo muito melhor do que simplesmente a extinção deles: uma felicidade profunda, que torna a vida verdadeiramente maravilhosa.
A palavra Dukkha, frequentemente traduzida como "sofrimento" no Budismo, tem, segundo esta interpretação, o sentido mais próximo de "insatisfação". Ela deriva da raiz duk, relacionada à ideia de eixo.
O Budismo faz uma comparação muito conhecida: quando o eixo está exatamente no centro da roda, ela gira suavemente. Porém, quando o eixo está desalinhado, a roda passa a subir e descer de forma irregular. Assim também é a vida: ela possui altos e baixos; às vezes as coisas estão boas e, em outras, não.
A vida oscila constantemente. Por isso, diz-se que ela é Dukkha, isto é, marcada pela insatisfação provocada por essas variações. Nossas expectativas também sobem e descem. Diante disso, o Buda apresenta uma solução para a insatisfação gerada por Dukkha: aprender a lidar com os altos e baixos por meio da aceitação.
Aceitar as variações da vida é uma forma de transformação interior e favorece o autoconhecimento.
Aceitar os altos e baixos da existência é, segundo o ensinamento budista apresentado aqui, a maneira de lidar com as insatisfações, com Dukkha.
Nossa existência é eterna, mas nela estamos em constante transformação. Tudo está mudando o tempo todo.
Não temos garantia de reviver os bons momentos que já passaram. Porém, segundo esta compreensão, temos a possibilidade de alcançar uma felicidade imensa ao atingirmos o Nirvana.
Namastê.





