A Iluminação em Jung e nas Religiões

Por: Ryath

Jung dizia que o processo que ele desenvolveu e chamou de individuação é o mesmo processo que existe em diversas religiões: o autoconhecimento.

Esse processo de autoconhecimento culmina na iluminação espiritual, em um nível bem elevado. Na Psicologia Junguiana, pode-se dizer que a individuação, ou autoconhecimento, leva à integração da personalidade, que corresponde à iluminação. Essa era a linguagem de Jung.

1 – O Ego e a Totalidade da Existência

Nas religiões, em especial nas orientais, diz-se que a iluminação extingue o ego e nos faz entrar em contato com o Todo. Isso representa uma expansão da consciência: a consciência vai além de si mesma e sente que faz parte de todas as consciências, da soma de todas as vidas ou de Deus.

Para as religiões orientais, o ego é uma ilusão e também é superficial. O que é profundo é a união com o Todo.

Jung também ensina que o ego é uma ilusão e que, na iluminação, ele deixa de ser o centro da personalidade para dar lugar ao Self, que é o verdadeiro núcleo e a totalidade da personalidade humana. Ambos os caminhos tiram o foco do “eu” superficial para direcioná-lo à totalidade.

Nas religiões orientais, a verdadeira identidade existe na natureza de Buda ou no Atman.

2 – A Integração dos Opostos

Existe, no Yin e Yang do Taoísmo e também em outras filosofias, a ideia dos opostos que existem em tudo: luz e sombra, masculino e feminino, ação e passividade.

O Taoísmo ensina que o equilíbrio dos opostos é necessário para o equilíbrio do Universo.

Para Jung, a saúde psíquica depende da harmonia entre forças opostas. A luz e a Sombra, na Psicologia Junguiana, são opostos, assim como a Anima e o Animus, que representam o masculino e o feminino dentro dos seres.

No processo de autoconhecimento, ou individuação, integramos a Sombra à consciência, assim como a Anima ou o Animus. Integramos tudo, inclusive a harmonia dos opostos, e assim atingimos a saúde psíquica.

Integrar a Sombra, a Anima ou o Animus significa tomar consciência dessas partes psíquicas. Assim, assimilamos essas partes à consciência.

3 – A Realidade do Sofrimento

Nas religiões como a Umbanda e no Espiritualismo em geral, ensina-se que o sofrimento e o karma têm um propósito maior, que é buscar trazer o autoconhecimento. Isso pode ocorrer ou não por meio do sofrimento, dependendo de nós.

No Budismo, o sofrimento é uma realidade que serve de base para compreender a libertação ou a iluminação.

Porém, podemos nos autoconhecer sem sofrer.

Muitas pessoas e até algumas doutrinas ensinam que o autoconhecimento é sofrimento, mas isso é uma ilusão. O sofrimento pode ou não trazer o autoconhecimento, assim como podemos realizar práticas e buscar a evolução espiritual sem passar pela dor.

Para Jung, a crise psicológica, a neurose e o sofrimento mental não são apenas problemas a serem eliminados por medicamentos, mas também podem representar um chamado do inconsciente, a Metanoia, forçando o indivíduo a despertar, olhar para dentro e mudar o rumo de sua vida.

 

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