Por: Ryath
Enquanto a psicologia de Platão é mais espiritual, a de Sócrates é mais baseada no aspecto mental e emocional, por assim dizer, fundamentando-se no autoconhecimento, na razão e no cultivo do bem.
A Maiêutica
Os filósofos anteriores a Sócrates preocupavam-se com questões da natureza, mas esse grande pensador voltou-se para as questões do autoconhecimento interior e formou um método para isso, chamado maiêutica, que, por meio de perguntas e respostas, ajudava a pessoa a se investigar, perceber suas ideias, contradições e, assim, encontrar a verdade.
Isso pode ferir o orgulho e a vaidade das pessoas, mas o que acontece é que elas possuem ilusões, e aprender a enxergá-las é importantíssimo para obter o verdadeiro autoconhecimento.
A psicologia cognitivo-comportamental utilizou o método de Sócrates como precursor, baseado em perguntas e respostas; assim, o paciente pode enxergar suas ilusões, ou crenças falsas, e reformular outras.
Não estou abordando crenças religiosas, mas crenças pessoais da vida das pessoas — coisas que achamos serem reais, mas que não são.
Para Sócrates, a felicidade só é possível por meio do autoconhecimento, e sua vida foi dedicada a isso: ao autoconhecimento e ao bem.
Sócrates defendia que a felicidade só é atingida com um exame constante de si mesmo, e essa busca pelo autoconhecimento é uma virtude ligada à sabedoria.
O homem que se conhece é sábio.
É dito pelo Oráculo de Delfos que o homem mais sábio de sua cidade, Atenas, foi Sócrates.
O Vício e a Virtude
Para Sócrates, o que ele chama de vício são as más atitudes, que são o contrário das virtudes, que representam o bem.
O vício, portanto, é fruto da ignorância, ao mesmo tempo em que a virtude é fruto do conhecimento.
A virtude é o conhecimento do que é bom para a alma.
Na época de Sócrates, e até mesmo hoje, muitos vivem no vício, cheios de orgulho, e veem isso como algo elevado. Isso causou grande incômodo naqueles que tinham seus orgulhos feridos pelo filósofo, o que acabou contribuindo para sua condenação e morte.
Sócrates mostrava os erros e ilusões de quem estava muito apegado à vaidade e ao orgulho — ou seja, ao ego —, e aqueles que se achavam superiores sentiam-se diminuídos, gerando raiva e mágoa, principalmente em pessoas que não valorizavam o bem. Para o filósofo abordado neste texto, o bem é o mais importante, e ele representa uma alma saudável.
Sócrates lutava pelo bem, pelo autoconhecimento e pela felicidade, mas isso ia contra os interesses de alguns.
Sócrates defendia que uma alma viciada ou má está assim porque está doente, e essa doença é causada pela falta de conhecimento, de reflexão, de virtude, de justiça e de temperança.




