Por: Ryath
Os ensinamentos de Platão sobre a psicologia são todos espirituais.
Platão separa a alma em três partes, que são:
1 - A parte racional — é responsável pela razão e pela busca da verdade, pois vivemos em um mundo de ilusão, representado no Mito da Caverna por Platão. Assim como os orientais dizem que vivemos em um mundo de ilusão e propõem um caminho para o despertar — o caminho da iluminação —, Platão também tinha uma proposta semelhante, por meio da filosofia, da prática da moral, da ética e do bem, que conduzem ao autoconhecimento.
A iluminação é alcançada, para Platão, também pela filosofia, estando ligada a essa parte racional da alma.
Buda propõe um caminho para a iluminação baseado na ética, na moral, na aceitação dos ensinamentos budistas, na meditação e na atenção plena; assim, há semelhanças entre esses dois caminhos.
Buda e Platão nasceram quase na mesma época, mas em locais distintos do planeta: o primeiro na Índia e o segundo na Grécia.
Entretanto, todas, ou quase todas, as religiões possuem um caminho de ética e moral; e também existem filosofias que buscam a iluminação, como a Yoga.
Inclusive o cristianismo, ao evitar os pecados e buscar o bem e o amor, apresenta formas de prática moral e ética, que visam não fazer o mal, mas sim o bem.
Um paralelo com a localização dessa função da alma, para Platão, é que ela se aproxima dos chakras coronário e frontal, que possuem funções semelhantes às descritas por ele para a parte racional da alma.
2 - A parte irascível — para Platão, é a parte das emoções, da coragem, da vontade e da ira, estando localizada no peito.
Para Platão, essa é a primeira parte ligada ao autoconhecimento; porém, para Santo Agostinho, outro filósofo importantíssimo, é o amor que conduz à virtude e ao bem, e não o intelecto.
É o amor que nos torna bons, que nos leva a fazer o bem. Ele está nos sentimentos.
Essa é a parte não racional para Platão e se encontra no peito.
Os ensinamentos espirituais são claros ao nos orientar a escutar o coração espiritual e praticar o amor, o que é muito bonito.
Se observarmos, é no peito que está o chakra cardíaco, que é a fonte do amor.
Para Platão, a parte intelectual é eterna; porém, o amor e os sentimentos elevados também o são, e apenas melhoram à medida que evoluímos espiritualmente, tornando-se mais agradáveis e intensos.
3 - A parte concupiscível — localiza-se no baixo ventre e é responsável pelos desejos físicos, instintos, prazeres e necessidades.
Se observarmos, ela se relaciona com o chakra básico, que tem muito a ver com o que Platão descrevia dessa parte da alma, ligada ao mundo físico, à nossa vida material, à criação e à criatividade.
O Conflito entre Corpo e Alma
Para Platão, o corpo é uma prisão para a alma e, para atingir a iluminação, ele propõe, além do caminho da filosofia e da prática da ética e da moral, a vida ascética, como forma de se purificar das distrações e necessidades sensoriais do corpo.
O ascetismo também foi praticado no Hinduísmo, e alguém que vivenciou essa prática e discordou de que ela leva à iluminação foi Buda.
O ascetismo nos ensina a não nos apegarmos aos desejos do mundo material, focando apenas na realização espiritual; porém, para Buda, isso é um radicalismo, sendo necessário um caminho do meio entre satisfazer ou não os desejos — realizar alguns e não outros.
Acredito nos ensinamentos espirituais que dizem que a abstinência em excesso desequilibra o espírito, pois vivemos em uma ligação entre corpo e espírito, e os extremismos apenas atrapalham: aumentam ainda mais os desejos, dificultam o raciocínio devido à necessidade de satisfazê-los e nos colocam em um estado de insatisfação e possível sofrimento.
Estar em paz é melhor para atingir a iluminação, diante dos desafios que o autoconhecimento nos impõe.
Buda propõe o Caminho do Meio, que é um caminho sem extremismos, de equilíbrio, no qual não se busca a abstinência total dos desejos, mas também não se satisfazem todos eles.
Vemos que, para Platão, o desejo está ligado à parte concupiscível da alma, e existem divergências quanto a essas divisões e sua relação com o caminho espiritual.
Porém, nem tudo é separação na filosofia de Platão, pois, para ele, a verdadeira felicidade depende da harmonia entre as três partes da alma.
Reencarnação
Platão ensina a reencarnação e afirma que, quando encarnamos, esquecemos os conhecimentos que possuímos; porém, aprender é, na verdade, relembrar conhecimentos que tivemos tanto no mundo material, em outras vidas, quanto em um mundo espiritual chamado Mundo das Ideias, de onde tudo provém e de onde tudo no mundo material surgiu.
O Objetivo da Filosofia de Platão
O objetivo de sua filosofia é que a razão, a primeira parte da alma, controle as outras duas partes.
A parte irascível representa as emoções nobres, sendo virtuosa; já a parte concupiscível representa os desejos inferiores, que não são nobres nem bons.
Assim, a parte racional deve guiar a parte irascível, que é boa, e dominar a parte concupiscível.




