Por: Ryath
Das Filosofias Orientais à Psicologia
O Budismo e a Yoga trabalham a atenção plena como formas de autoconhecimento, mas ela também é um instrumento utilizado por terapeutas para tratarem seus clientes, trazendo cura e uma vida melhor.
A terapeuta comportamental e YouTuber Gabriela Afonso, em um de seus vídeos publicados em seu canal de Psicologia, fala sobre o Mindfulness, que é a atenção plena às emoções, com foco terapêutico e de autoconhecimento.
Além da atenção plena, a meditação, um instrumento tanto do Budismo quanto da Yoga, do Taoísmo, do Hinduísmo e de outras tradições, também é utilizada terapeuticamente, principalmente na Psicologia Transpessoal. Muitos autores junguianos também falam sobre a meditação e a ensinam.
Atenção Plena, Emoções e Autoconhecimento
Mas vamos nos ater ao Mindfulness, que muitos associam apenas ao relaxamento, embora não seja exatamente isso quando se trata de prestar atenção às emoções.
A forma como julgamos nossas emoções está relacionada à nossa tolerância em relação a elas.
Uma mente mais compreensiva aceita melhor as emoções. Porém, mesmo assim, é normal termos dificuldades em aceitar que sentimos certas coisas que vão contra nossos valores, nosso ego, nossa forma de pensar e até nossos próprios erros e defeitos.
Nossas emoções fazem parte do nosso ser e, muitas vezes, não aceitamos nem conhecemos em nós mesmos aquilo que sentimos, justamente por causa da dificuldade em lidar com emoções que ferem nossa vaidade, nosso orgulho ou demonstram nossa inveja, cobiça, luxúria e assim por diante. O mesmo acontece com emoções que entram em conflito com nossas ideias, nossa ética, nossa moral, nossos ideais, nossos valores e nossas opiniões.
Nossa mente nos protege dessas informações por meio do que a Psicologia chama de defesas psicológicas, fazendo com que elas sejam enviadas para uma região da mente que permanece oculta para nós mesmos, da qual não temos consciência: o inconsciente.
Tomar consciência dessas emoções é aprender sobre nós mesmos; isso é autoconhecimento.
Assim, desenvolver atenção plena em relação às nossas emoções pode trazer autoconhecimento, desde que façamos essa observação sem julgamentos, mas com aceitação.
A aceitação também é um ensinamento do Budismo, e ela auxilia nesse instrumento terapêutico, favorecendo o autoconhecimento.
Existem muitas técnicas de autoconhecimento nas filosofias orientais e nas religiões, e elas são utilizadas como formas de tratar as pessoas, sendo consideradas técnicas eficientes de cura e de progresso da consciência.
Emoções e Felicidade
É preciso entender que nossas emoções não são coisas ruins; pelo contrário, elas são muito importantes. As emoções positivas fazem parte da nossa felicidade, enquanto as emoções negativas representam aspectos com os quais precisamos lidar e transformar para desenvolver sentimentos mais elevados, que justamente contribuirão para nossa felicidade.
O autoconhecimento amplia nossas emoções positivas, aquelas que são agradáveis de sentir, aumentando nossa felicidade.
Assim, a felicidade é composta por nossas emoções positivas, que nos fazem bem e proporcionam bem-estar.
Atenção Plena às Emoções na Prática
Nossas interpretações sobre como deveríamos ou não deveríamos nos sentir, o medo das emoções, o desejo de não senti-las, pensar se os outros também sentem o mesmo ou se isso é normal, tudo isso constitui julgamentos que modificam nossa experiência emocional.
Tudo isso nos leva novamente ao tema da aceitação das nossas emoções.
Sendo assim, a prática do Mindfulness, ou Atenção Plena às emoções, consiste em observá-las sem julgamentos, apenas percebendo-as para enxergarmos a realidade como ela é. Isso nos conduz, mais uma vez, à ideia de aceitação.
Gabriela Afonso chama essa postura de uma observação gentil, aberta, sem tentar mudar aquilo que percebemos e sem fazer julgamentos.
Praticar o Mindfulness é aceitar as emoções sem tentar encontrar desculpas para aquilo que sentimos e sem desejar deixar de senti-las.
Para praticar a atenção plena, aceite suas emoções.
Gabriela Afonso ensina que, para não voltarmos ao ciclo de não aceitação das nossas emoções, podemos mudar o foco ao percebê-las, direcionando nossa atenção para a respiração, para a cadeira onde estamos sentados ou para o contato dos pés com o chão.
Ela explica que, nessa prática, devemos buscar elementos para nos ancorarmos no momento presente. Dessa forma, deixamos de concentrar tanta atenção na emoção e conseguimos aceitá-la como algo natural.





