Autoestima, Autocompaixão e Maitri no Budismo

Por: Ryath

O Budismo nos ensina a não nos compararmos com os outros, pois isso é fruto do ego, que quer, mesmo que não percebamos, ser melhor do que os outros.

A comparação nos faz nos sentirmos melhor, por meio do orgulho, que é um veneno da mente, ou nos faz nos sentirmos pior, o que nos faz mal conosco mesmos, causando algum nível de sofrimento ou desconforto. Isso é muito prejudicial, não só para lidarmos conosco mesmos, mas também porque afeta a maneira como lidamos com o mundo.

Ao tomarmos consciência desse processo, vamos percebendo nosso desejo de sermos melhores que os outros e, então, olhando para isso, vamos nos desprendendo desse desejo.

A mudança vem com a conscientização e com o assumir das próprias características. É assim que mudamos essas características.

O Budismo nos ensina o Maitri, que é o amor benevolente, a amizade com os conteúdos internos de nossa mente, mesmo que eles sejam dolorosos ou vergonhosos... É olhar para eles mesmo assim, aceitá-los e fazer amizade com eles. Tudo isso ajuda muito no processo de autoconhecimento e autoaceitação.

O Mestre Pema Chödrön coloca o Maitri como a amizade incondicional consigo mesmo.

Existe um ensinamento budista segundo o qual só é possível cuidar e amar o outro quando paramos de nos maltratar internamente. Isso é muito parecido com o ensinamento de Jesus:

“Amai o próximo como a ti mesmo.”

Já vi textos em que terapeutas citam esse ensinamento de Jesus, dizendo que só é possível amar o outro quando nos amamos.

O Maitri tem início com o cultivo do bem-querer para si mesmo e, em seguida, com a expansão desse bem-querer para os amigos, pessoas neutras, pessoas difíceis e, por fim, para todos os seres vivos.

Assim, a gente vê como a mente, a luz, é a mesma, seja para o Budismo ou para Jesus.

Buda e Jesus eram grandes sábios, conhecedores dos conteúdos interiores dos seres humanos.

A Meditação do Maitri

1- Sente-se de forma confortável, com a coluna ereta, mas sem tensão.

2- Feche os olhos e faça três respirações profundas. Deixe o corpo relaxar e traga sua atenção para a região do peito, do coração.

3- Durante cada etapa, você vai mentalizar e repetir silenciosamente estas quatro frases, ou outras semelhantes que façam sentido para você:

Que eu seja feliz.

Que eu tenha saúde e esteja seguro.

Que eu viva em paz e com tranquilidade.

Que eu seja livre de todo sofrimento.

Primeiro, ofereça esses mantras para você, repetindo-os para si mesmo.

Depois, visualize um amigo próximo, mentor, familiar ou até um animal de estimação por quem você sente amor e direcione os mantras para essa pessoa. Repita os mantras para ela.

A terceira etapa é você pensar em alguém que vê no dia a dia, mas por quem não tem sentimentos nem contra nem a favor, como um caixa de supermercado, um vizinho distante etc. Repita os mantras para essa pessoa.

A quarta parte é você escolher alguém com quem tenha pequenos conflitos ou desavenças, evitando alguém com quem tenha traumas graves, pelo menos a princípio na prática.

Essa pessoa também é um ser humano que não deseja sofrer e quer coisas boas para si, de acordo com seus próprios conceitos do que seja bom. Deseje o bem para ela e que ela não tenha sofrimentos.

Expanda esse sentimento para todas as pessoas da sua cidade, do país e, finalmente, para todos os seres do universo, sem exceção.

4- Permaneça em silêncio por um minuto, sentindo a energia cultivada.

5- Abra os olhos devagar e retorne às suas atividades, tentando carregar essa atitude de boa vontade ao longo do dia.

Ao realizarmos essas práticas, estamos direcionando boas energias para nós e para os outros, trazendo o bem para nós e para os outros.

Pensamentos e emoções são energias.

 

Quem somos - Sobre o Site - Contato