Budismo, Psicanálise, Autoconhecimento e Sabedoria

Por: Ryath
O Budismo ensina a sabedoria, que é a realidade, o oposto da ilusão.
A palavra Buda significa “desperto”, “iluminado”.
O grande objetivo do Budismo é que nos tornemos Budas, e, se temos que despertar, é porque temos ilusões — e isso é normal.
Nós nos iludimos porque não lidamos bem com a realidade como ela é; então, nossa mente nos defende da verdade incômoda e a evita.
Na Psicanálise, existe o conceito de inconsciente, que é aquilo que não sabemos, em oposição ao consciente, que é o que sabemos.
Tanto o consciente quanto o inconsciente existem em nossa mente: o que sabemos e o que não sabemos.
Existe um ensinamento budista que diz que tudo está dentro de nós.
Mesmo o que não sabemos está dentro de nós, pois, se podemos resgatar lembranças esquecidas, desreprimir memórias, impressões e emoções, é porque aquilo de que não temos consciência também existe dentro de nós, mas pode se tornar consciente.
De acordo com a Psicanálise, nossa mente também tem defesas para que os conteúdos que estão no inconsciente não venham à tona.
O autoconhecimento é aprender o que não sabíamos sobre nós mesmos; ou seja, é transformar memórias, conhecimentos, emoções, impressões e percepções que estavam no inconsciente em conteúdos conscientes.
Para o Budismo, tudo o que vivenciamos — cada milésimo de segundo de informação — fica registrado na mente, mas não temos consciência disso; é o que chamamos, no Zen Budismo, de Alaya Vijnana.
Agora, voltando a abordar as defesas psicológicas: o que você diria se eu lhe dissesse que você é orgulhoso?
Como você reagiria?
Para o Budismo, as pessoas boas que ainda não são iluminadas, se são boas, possuem karma de orgulho; e, se morrerem, vão para o reino dos deuses, que é para onde vão as pessoas que têm esse tipo de karma.
O último reino a ser superado na não iluminação é o orgulho; então, se você não é um Buda e se incomodou ao ser chamado de orgulhoso, são suas defesas psicológicas agindo. Elas nos deixam indignados e nos fazem não aceitar conteúdos da mente que ainda não estão conscientes.
O que fazer para transmutar o orgulho e mudar? Justamente tomar consciência dele e assumi-lo; isso é autoconhecimento e transformação.
O Budismo possui técnicas para trazer conteúdos do inconsciente, como a meditação, a atenção plena, manter-se no bem e não fazer o mal em pensamentos, falas, ações e modo de vida, assim como estudar e aceitar as verdades do Budismo e praticar tudo isso com dedicação. Esse é o caminho para que uma pessoa se torne um Buda.
Um Buda é alguém que atingiu um nível muito grande de autoconhecimento, rompeu com suas ilusões e despertou; porém, ainda não chegou ao nível máximo de espiritualidade, pois o próprio Buda dizia que precisava continuar evoluindo e se engrandecendo.
Sidarta Gautama também praticava.
Mas por que se tornar um Buda?
Resposta: porque um Buda é alguém que tem a mente e as emoções expandidas.
As emoções expandidas são intensas e boas, cheias de sentimentos agradáveis e de completude — coisas maravilhosas de se sentir, que não se esgotam.
Com a mente expandida, um Buda transcende o seu próprio eu e alcança o dos outros, compreendendo-os.
Existe uma área da Psicologia que estuda a mente para além dela mesma, chamada Psicologia Transpessoal.
Temos muitos textos dessa abordagem aqui no site.
A Psicologia Transpessoal é considerada a quarta força da Psicologia; a Psicanálise é a segunda e surgiu com Freud.
A Transpessoal surgiu com diversos teóricos da Psicologia, mas, de forma especial, com Jung.
Jung estudou o Budismo, o Hinduísmo, o Taoísmo, o Cristianismo, as mandalas, os símbolos, o inconsciente coletivo e muito mais, trazendo diversos conhecimentos psicológicos.
Assim como o Budismo, a Psicologia Transpessoal trabalha com meditações e outras práticas que expandem a consciência, e esses estados promovem cura.

 

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