O Caminho para a Verdade, a Aceitação e a Liberdade Interior

Por: Ryath

Muitas vezes, sofremos porque criamos uma imagem das pessoas, de nós mesmos e da própria vida que não corresponde à realidade. Idealizamos um pai, uma mãe, um amigo ou um parceiro amoroso e acreditamos que essa pessoa é como imaginamos. Quando começamos a perceber como ela realmente é, podemos sentir uma grande dor.

Essa dor acontece porque estamos presos a uma ilusão. Queremos que a realidade seja como gostaríamos que fosse, mas a realidade é como é.

A desilusão, apesar de dolorosa, é uma forma de nos libertarmos da ilusão. Quando enxergamos cada vez mais a verdade, vamos deixando de sofrer por aquilo que imaginávamos que existia. A verdade traz consciência, e a consciência traz crescimento interior.

Não podemos conhecer os outros apenas pela nossa mente

Cada pessoa interpreta o mundo de acordo com sua própria mente. Por isso, podemos entender os outros de maneira equivocada.

Uma pessoa boa pode imaginar que todos são bons e ter dificuldade para perceber a maldade de alguém. Uma pessoa ruim pode enxergar maldade em todos, mesmo quando ela não existe.

Por isso, precisamos ter cuidado tanto com aquilo que os outros falam quanto com os nossos próprios julgamentos.

As pessoas são diferentes. Cada uma possui experiências, características, níveis de consciência e influências diferentes. Não podemos imaginar que todos sejam iguais a nós.

O autoconhecimento ajuda a perceber essas diferenças e também nos ajuda a enxergar melhor a realidade.

Você não é aquilo que os outros pensam de você

Para o ego, a opinião dos outros é muito importante. Muitas vezes, acreditamos que a imagem que mostramos para as pessoas é aquilo que realmente somos.

Mas imagem é apenas imagem.

O que somos por dentro pode ser diferente daquilo que mostramos. Por isso, precisamos perguntar a nós mesmos:

O que escondemos? O que mostramos de verdadeiro? O que mostramos de falso?

Essas perguntas fazem parte do autoconhecimento.

Não precisamos viver presos à opinião dos outros. Cada pessoa pode pensar o que quiser sobre nós. Isso não muda aquilo que realmente somos.

Quando nos preocupamos excessivamente com o julgamento alheio, criamos insegurança e sofrimento. Quando aceitamos que os outros podem pensar o que quiserem, ficamos mais livres.

O importante não é parecer alguém para os outros, mas ser nós mesmos.

Relacionamentos precisam de reciprocidade

Também podemos sofrer quando nos apegamos a pessoas que não se importam conosco.

Podemos amar, admirar ou desenvolver apego por alguém que não corresponde aos nossos sentimentos ou que até mesmo se aproveita de nós.

Quando permanecemos presos a esse tipo de relacionamento, podemos acumular sofrimento e problemas.

Precisamos de relacionamentos saudáveis, baseados em amor, respeito e reciprocidade.

Quando percebemos que um vínculo nos faz mal, precisamos ter consciência e lucidez para lidar com isso. O autoconhecimento ajuda a perceber aquilo que antes não conseguíamos enxergar.

Devemos nos libertar dos vínculos que nos fazem mal, mas sem carregar ódio, raiva ou ressentimento.

O perdão é uma forma de libertação.

Precisamos ser justos conosco mesmos

Nós, seres humanos, muitas vezes enxergamos muito mais nossos defeitos do que nossas qualidades.

Podemos ser extremamente exigentes conosco, julgando-nos e condenando-nos por aquilo que fazemos de errado, sem reconhecer aquilo que fazemos de bom.

Isso é uma forma de injustiça contra nós mesmos.

Precisamos aprender a olhar para nós com mais equilíbrio.

Isso não significa deixar de reconhecer nossos erros. Significa também reconhecer nossas qualidades, nossos esforços e aquilo que fazemos de bom.

A verdadeira justiça é equilibrada.

Precisamos usar o nosso racional para avaliar a nós mesmos com mais clareza e menos dureza.

Nesse sentido, a força de Xangô representa a Justiça, ajudando-nos a buscar equilíbrio em nossos julgamentos.

Às vezes, precisamos de cobrança para mudar. Em outras situações, precisamos de compreensão e doçura conosco mesmos.

O ego quer estar certo

O ego cria justificativas para defender a imagem que temos de nós mesmos.

Quando alguém nos critica, podemos imediatamente tentar provar que estamos certos. Dessa maneira, criamos defesas psicológicas para não enxergar aquilo que existe dentro de nós.

O autoconhecimento exige romper essas defesas.

Nem toda crítica é verdadeira, pois algumas podem vir da maldade, da inveja ou do desejo de prejudicar. Mas outras críticas podem mostrar algo que precisamos enxergar e transformar.

Por isso, precisamos ter serenidade para analisar aquilo que ouvimos.

Não precisamos estar sempre certos.

O importante não é ganhar uma discussão, mas ser feliz.

Libertar-se da necessidade de ter razão é uma forma de humildade e simplicidade.

O amor nos distancia do ego, e a evolução espiritual nos aproxima cada vez mais do amor.

O ego, o orgulho e a vaidade são ilusões

O ego cria a necessidade de sermos superiores, reconhecidos e admirados.

O orgulho quer estar acima dos outros. A vaidade quer ser bem vista pelos outros.

Mas essas posições são criações da mente humana.

As sociedades criam diferentes formas de colocar algumas pessoas acima de outras: por dinheiro, status, aparência, profissão, popularidade, religião ou qualquer outra característica.

Mas, espiritualmente, ninguém é mais importante do que ninguém.

Para Deus, todos são igualmente importantes.

Quando nos libertamos do ego, deixamos de precisar ser melhores do que os outros. Ainda podemos ter autoestima e nos sentir bem conosco mesmos, mas sem orgulho e vaidade.

E, conforme a consciência evolui, ela se volta cada vez mais para o amor e para o bem dos outros.

Viver o agora

Também sofremos quando nossa mente está presa ao passado ou ao futuro.

O passado não está mais acontecendo, e o futuro ainda não chegou.

O que temos realmente é o momento presente.

Podemos ter tido coisas maravilhosas no passado, mas não as temos agora. Podemos desejar coisas maravilhosas para o futuro, mas ainda não as temos.

Por isso, precisamos aprender a viver o presente.

Viver o agora é experimentar aquilo que está acontecendo neste momento, valorizando os bons sentimentos sem ficar preso ao que já passou ou preocupado com aquilo que ainda pode acontecer.

Isso também é desapego.

Não significa deixar de gostar das coisas boas que temos. Significa não transformar o medo de perdê-las em sofrimento permanente.

Aceitar a realidade

Grande parte do sofrimento nasce da resistência à realidade.

Queremos que as pessoas sejam diferentes, que as situações sejam diferentes e que a vida aconteça da maneira que desejamos.

Mas muitas coisas são inevitáveis.

A aceitação não significa gostar de tudo ou concordar com tudo. Significa reconhecer a realidade como ela é.

Quando aceitamos, diminuímos a resistência.

E, quando deixamos de lutar mentalmente contra aquilo que não podemos mudar, conseguimos enxergar melhor aquilo que podemos transformar.

A aceitação também é importante para o autoconhecimento, porque precisamos primeiro reconhecer aquilo que somos para depois podermos mudar.

Os Vedas e a realidade

Os Vedas ensinam que aquilo que é realmente verdadeiro é eterno.

Tudo aquilo que nasce, muda e desaparece é transitório.

Nossa personalidade muda de uma existência para outra. Por isso, ela é uma espécie de máscara ou roupagem que usamos durante determinada vida.

Por trás dessa personalidade existe algo mais profundo e permanente: nossa essência, nossa alma.

A forma como existimos pode mudar, mas nossa essência permanece.

O Absoluto é real, e nós fazemos parte desse Absoluto.

Por isso, nossa essência é real e eterna.

A vida material é temporária, mas aquilo que existe por trás dela é permanente.

Ilusão, autoconhecimento e Nirvana

O Budismo ensina que vivemos muitas vezes presos a ilusões.

Não enxergamos determinadas coisas porque elas podem ser dolorosas, inconvenientes ou contrariar aquilo que acreditamos sobre nós mesmos e sobre o mundo.

O autoconhecimento consiste justamente em começar a enxergar aquilo que antes não percebíamos.

No começo, isso pode ser desconfortável. Mas, conforme nos acostumamos a conhecer a nós mesmos, essa descoberta pode se tornar algo muito positivo.

O Nirvana representa um estado de grande despertar, autoconhecimento e desprendimento do ego.

É uma meta do Budismo.

Quanto mais a consciência se liberta das ilusões e do ego, mais ela se aproxima de uma experiência profunda de amor, consciência e felicidade.

A prática espiritual busca esse desenvolvimento por meio da meditação, da atenção plena, de pensamentos e palavras positivas, de boas ações e de uma vida orientada pelo bem.

Esse caminho é apresentado pelo Budismo através do Nobre Caminho Óctuplo.

A evolução é uma libertação

Todos esses ensinamentos apontam para uma mesma direção:

enxergar a realidade, aceitar aquilo que é, conhecer a nós mesmos, libertar-nos das ilusões e diminuir o domínio do ego.

Precisamos aprender a ser mais justos conosco, não depender da opinião dos outros, escolher relacionamentos mais saudáveis, perdoar, viver o presente, aceitar as pessoas e as situações como são e buscar cada vez mais o autoconhecimento.

A evolução espiritual é justamente esse processo de transformação interior.

Quanto mais nos libertamos do ego, do orgulho, da vaidade, do apego, da ilusão e da necessidade de controlar tudo, mais espaço abrimos para o amor.

E o amor é aquilo que nos conduz à verdadeira felicidade.

Não importa ter razão. O importante é ser feliz.

Não importa parecer alguém. O importante é ser você mesmo.

Não importa viver preso ao passado ou ao futuro. O importante é viver o agora.

Não importa permanecer preso às ilusões. O importante é enxergar a verdade.

Esse é o caminho para a liberdade interior, para a evolução espiritual e para um verdadeiro paraíso dentro de nós.

Fiquem com a luz.

Seres de luz.

 

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