Por: Ricardo Chioro
(Parte deste texto é canalizada dos Mestres Ascensos)
Na antiguidade, cultuavam-se os deuses. Quando as pessoas buscavam ajuda espiritual, pediam às divindades.
Com a criação do Catolicismo, nessa religião, quando se necessita de algo, pede-se aos santos.
Os santos são iluminados. Quem conhece o Espiritismo, ou até mesmo algumas linhas do misticismo, sabe que um iluminado não consegue atender aos pedidos de orações de grande parte do planeta, como ocorre com santos populares.
Imagine São Francisco: a maior parte do planeta já foi católica, e este é um dos santos mais populares. Como atender à demanda de tantas orações de bilhões de pessoas no mesmo dia ou mês? Não dá. Além disso, chegou-nos a informação de que Chico Xavier foi uma das reencarnações de São Francisco. Então, iluminados podem reencarnar — e como ficariam as pessoas que rezam para eles enquanto estão na vida material?
Na verdade, os iluminados não atendem diretamente às nossas orações, mas fazem a ponte com energias que regem o universo, justamente as divindades.
As divindades são forças cósmicas ocultas sob nomes e humanizações nas religiões; já no Catolicismo, estão ocultas sob a figura dos santos.
Na Umbanda, reverenciam-se os Orixás através dos santos, pois cada santo representa um Orixá, uma força cósmica — é o sincretismo, que poderia acontecer também com deuses de diversas culturas.
É importante entendermos que quem criou a forma de cultuar os santos para fazer conexão com as forças cósmicas, no Catolicismo, sabia o que estava fazendo, conhecia a forma de isso acontecer. Por isso, funciona: são formas de lidarmos com energias e também procedimentos religiosos.
Tanto rezar para os santos quanto para as divindades funciona. Em ambos os casos, seremos atendidos se a Lei Divina e a nossa fé permitirem.
Essas forças cósmicas têm consciência, mas não têm forma humana, e suas “vidas” não são as mitologias. Tudo isso são representações do que elas são. Em cada cultura, uma força cósmica recebeu um nome, uma humanização e uma mitologia diferentes.
Antigamente, os procedimentos religiosos aconteciam de forma que não demonstravam o que eram de verdade. Ocorreram de forma encoberta para proteger esses conhecimentos, evitando que fossem usados para o mal.
Ao mesmo tempo em que o Catolicismo recriminava o culto às divindades, criava os santos como representações dessas mesmas forças. Encontramos um exemplo desse posicionamento no livro do Êxodo, na Bíblia, em que Deus condena o Egito por cultuar deuses.
O Cristianismo foi se expandindo pelo mundo. As outras crenças cristãs que surgiram após o Catolicismo são reformas dele, herdando muito de sua tradição e conhecimento, ao mesmo tempo em que refutam outros aspectos. Assim, é comum a não aceitação das divindades, vistas como irreais ou negativas.
Vivemos em um mundo de forte influência cristã. Prova disso é que nossas datas são baseadas nesse sistema. Esse pensamento é absorvido por quem acredita e acaba influenciando também pessoas de outras crenças, pois muitos cristãos consideram sua fé como a verdade e transmitem suas visões — muitas vezes sem perceber que são moldadas por sua própria crença.
Faz parte do estudo do misticismo e do esoterismo analisar os deuses. Se fossem falsos ou irreais, qual seria o sentido de estudá-los? O que isso acrescentaria?
O esoterismo e o misticismo sempre valorizaram muito os sistemas iniciáticos no planeta Terra. Em culturas onde esses sistemas existiam, havia o culto às divindades, como no Taoísmo, na Índia, no Egito e em muitos outros lugares.
Podemos notar uma contradição:
— Místicos influenciados pelo Cristianismo podem rejeitar a ideia de politeísmo, mas, ao mesmo tempo, considerar elevadas religiões egípcias, hindus, taoístas e tantas outras.
Os santos são, nesse contexto, as representações das forças divinas dentro do Catolicismo.
O fato é que o Cristianismo, ao buscar expansão, acabou criticando outras religiões que cultuavam divindades, criando referências negativas sobre elas. Ao mesmo tempo, estruturou seu próprio sistema simbólico através dos santos, que funcionam de maneira semelhante às divindades de outras crenças.
Um amigo levantou um questionamento sobre o livro do Êxodo: Moisés tirou o povo hebreu da escravidão para levá-lo à Terra Santa — um lugar cuja localização é debatida até hoje.
Segundo essa visão, o povo deixou uma condição de escravidão para enfrentar grandes dificuldades, em uma terra com escassez de recursos.
O culto aos deuses fazia parte das tradições iniciáticas do Egito, da magia e de sistemas espirituais considerados elevados naquela cultura.
O fato é que a Bíblia muitas vezes é vista como inquestionável, mas essa ideia também pode ter sido reforçada historicamente para manutenção de poder.
Agradeço à Mestra Yasmim por passar instruções para a construção deste texto, assim como ao médium que trouxe suas colocações e a todos os Mestres que me inspiraram durante a escrita.




