Por: Ryath
Nos evangelhos de Evangelho de Judas, Evangelho de Maria Madalena, Evangelho de Filipe e Evangelho de Tomé, encontramos conceitos muito parecidos com os de Santo Agostinho sobre Deus estar dentro de nós e sobre como o autoconhecimento é o que nos faz encontrar esse Deus.
Santo Agostinho tinha forte influência de Platão, Sócrates e Plotino. Da mesma forma, esses quatro evangelhos citados acima parecem apresentar muitas semelhanças com a obra de Platão.
O Espiritismo nos fala que Sócrates e Platão serviram de preparação para Jesus Cristo, o que é muito interessante se compararmos essas obras, já que esses evangelhos contêm ensinamentos atribuídos a Cristo.
Nesses evangelhos, Deus não é apresentado como uma figura punitiva, mas como uma porção divina presente dentro dos seres vivos. São Francisco de Assis leva essa visão até mesmo aos animais, à natureza e às pessoas excluídas, que não eram bem vistas na época em que viveu.
O Evangelho de Tomé ensina que o autoconhecimento leva ao conhecimento de tudo.
Isso se aproxima daquela frase atribuída a Sócrates, escrita no Templo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses”.
“A ideia central é que o ser humano reflete a própria estrutura do cosmos. Ao compreender profundamente sua própria mente e alma, o indivíduo compreende as leis invisíveis, a ordem e a lógica de todo o universo.”
Os Evangelhos Apócrifos vão além e ensinam que o Reino de Deus não é um lugar espiritual exterior, mas algo interior, alcançado por meio do autoconhecimento. Esse reino também é entendido como salvação.
Para esses evangelhos — os de Judas, Maria, Filipe e Tomé —, o verdadeiro Deus é espiritual, transcendente e habita na divindade interior presente em cada ser humano, que estaria aprisionada no corpo físico.
Esses evangelhos foram retirados da tradição cristã nos concílios e eventos que decidiram quais livros fariam parte da Bíblia. Muitas obras foram excluídas, pois existiam interesses em fortalecer um vínculo religioso externo de salvação, dependente de uma instituição religiosa, e não de algo interior.
Jesus Cristo foi um mestre de sabedoria e um guia interior de autoconhecimento. Como parte desse conteúdo foi retirada dos livros bíblicos, o que ocorreu depois, em obras de Santo Agostinho e de diversos filósofos cristãos, foi uma retomada dessas ideias. Mesmo sem vínculo direto com os evangelhos apócrifos, muitos chegaram a conclusões semelhantes sobre o Deus interior, o autoconhecimento e o misticismo de alcançar o Todo por meio da interioridade.
Se as obras desses quatro evangelhos — Judas, Maria, Filipe e Tomé — tivessem sido aceitas na Bíblia, talvez tivéssemos, no Ocidente, religiões mais centradas no autoconhecimento e na busca mística, de forma semelhante ao Budismo, ao Taoísmo e ao Hinduísmo.
Aqui no site temos muitas práticas de autoconhecimento, assim como exercícios voltados para essa união mística com o Todo, chamada de plenitude de sentimentos. Veja nos links abaixo.




