Por: Ryath
O ego faz parte dos órgãos de nossa mente, assim como o estômago, o coração e os pulmões são órgãos do nosso corpo.
O que está no corpo é perceptível para nós, mas o que está na mente não. Não conseguimos sequer dar uma forma ao ego.
A mente possui uma anatomia invisível, que não existe em nosso mundo físico, da mesma forma que o mundo virtual também não existe fisicamente.
Sendo assim, nosso ego nos leva a nos compararmos com as outras pessoas, seja em um sentimento de grandeza ou de pequenez, e isso é o contrário da autoestima.
É um grande engano achar que a ausência de ego significa deixar de nos importarmos conosco mesmos, pois isso é autoestima, e autoestima não é ego.
O ego faz com que a pessoa se ache melhor do que os outros, leve-a a fazer comparações e a buscar ser importante perante os olhos das outras pessoas.
Autoestima não é ego.
É como ensina Jesus: "Amai o próximo como a ti mesmo."
Não é para amar os outros e deixar de amar a si mesmo.
Você percebe a diferença?
O Catolicismo é uma religião que busca conduzir as pessoas à santidade, promovendo um crescimento psicológico interior, alcançado por meio do autoconhecimento.
Faz parte do autoconhecimento enxergarmos o que temos de bom, valorizarmos essas qualidades diante de nós mesmos, sem desejar que os outros considerem aquilo que fazemos algo impressionante ou que nos vejam como pessoas extraordinárias.
Esse caminho nem sempre é fácil, mas consiste em aprendermos a nos amar e a nos admirar, sem precisarmos que os outros também nos admirem dessa forma.
O caminho é aprendermos a nos amar, desenvolvendo um desprendimento em relação ao pensamento alheio.
O que importa é o que somos, e não o que os outros pensam de nós.
Humildade é não nos preocuparmos com o que os outros pensam, nem em possuir um status perante a mente alheia, perante a sociedade ou mesmo perante um grupo, ainda que seja um grupo espiritual.
Em uma comunidade religiosa, é muito importante que ninguém queira ser melhor do que ninguém, seja por conhecimento, cargo ou até mesmo evolução espiritual.
Muitas pessoas que buscam a fama desejam ser admiradas pelos outros. Esse é o caso de muitos cantores, atores, músicos e outros profissionais que entram nessa vida movidos por esse objetivo. Isso acaba prejudicando seu crescimento, pois a evolução acontece com muito mais fluidez quando não estimulamos o ego.
O ego necessita da aprovação dos outros e, quanto mais seguimos esse caminho egoico, mais aprovação passamos a necessitar, chegando, muitas vezes, a extremos.
Quando sentimos necessidade de mostrar aos outros o quanto somos grandes ou bons em alguma coisa, acabamos nos cobrando excessivamente para corresponder a expectativas que buscamos na mente dos outros, e não na nossa.
A grande diferença entre autoestima e orgulho é que, na autoestima, nos preocupamos com aquilo que existe em nossa própria mente, enquanto, no ego, nos preocupamos com o que imaginamos existir na mente dos outros.
A autoestima proporciona felicidade. O ego, não.
A autoestima proporciona satisfação. O ego, não.
O ego quer sempre mais e mais reconhecimento, e isso não deixa de ser uma forma de cobiça.
Muitas pessoas investem grande parte de seu tempo e de sua energia em parecer grandiosas diante dos outros. Entretanto, isso não traz felicidade. Nesse ponto, lembro-me de uma frase de um espírito que me inspira:
"O ego não é nada comparado ao coração."
O coração é amor, bem-estar e felicidade.
O ego quer ser cada vez maior.
Como um órgão da mente, o ego não pode ser destruído, como muitos afirmam. Entretanto, podemos nos desprender de sua influência, e isso implica tomar consciência e desenvolver autoconhecimento sobre comportamentos, pensamentos e sensações egoicas.
É enxergando e assumindo aquilo que vemos em nós mesmos que o ego vai perdendo sua força sobre nós. Assim, vamos nos elevando espiritualmente, e esse processo representa uma forma de desprendimento.
O autoconhecimento nos proporciona desprendimento, amor e consciência.
Quanto mais consciência temos, melhor lidamos com a vida. E, quanto melhor lidamos com a vida, mais felizes nos tornamos.
Nossa elevação espiritual nos proporciona uma felicidade espontânea e, ao mesmo tempo, nos faz lidar melhor com a vida, tornando-a muito mais feliz.
Assim, o autoconhecimento nos proporciona dois tipos de felicidade.
O autoconhecimento consiste em um processo contínuo de aprimoramento. Portanto, para vivermos cada vez melhor, ou seja, cada vez mais felizes, invista sempre em autoconhecimento. Invista seu tempo, sua dedicação e sua energia nesse caminho.





