Por: Ricardo Chioro
(Parte deste texto é canalizada dos Mestres Ascensos)
O corpo influencia o espírito, e o espírito influencia o corpo. Como exemplo, temos uma pessoa que passa fome. A fome faz com que ela se sinta mal, deixando seu estado emocional abalado e fazendo o espírito sofrer por causa das necessidades do corpo.
O corpo responde à fome fazendo a pessoa sentir-se mal, tanto física quanto emocionalmente.
Muitas vezes, ao tomarmos um remédio ou um hormônio, podemos nos sentir melhor ou pior psicologicamente, mostrando como o corpo influencia o espírito.
Segundo a Metafísica da Saúde, as doenças são causadas por insatisfações do espírito.
Sendo assim, para sermos felizes, precisamos agradar tanto ao corpo quanto ao espírito, e isso facilita nossa evolução espiritual.
Existem pessoas que pregam que devemos viver apenas para o espírito, acreditando que as necessidades do corpo representam materialismo ou coisas do ego. Segundo esses ensinamentos, não é assim.
A pessoa que acredita nisso e coloca essa ideia em prática entra em conflito, pois, à medida que as necessidades do corpo são cada vez mais reprimidas, elas se tornam mais intensas. A pessoa passa a considerar seus desejos e necessidades como algo errado, gerando sofrimento e desequilíbrio. Quando o corpo se desequilibra, a mente também se desequilibra.
Como exemplo, temos a vida de Buda, que praticou o ascetismo e submeteu seu corpo a severas mortificações. Alimentava-se muito pouco, chegando, segundo esses ensinamentos, a consumir apenas um grão de arroz por dia, de modo que suas costelas ficavam visíveis.
Você sabe como ele conseguiu sobreviver vivendo dessa forma?
Muitas pessoas não se perguntam como ele conseguiu sobreviver, mas, segundo esses ensinamentos, isso ocorreu por meio da prática chamada "viver de luz", na qual ele se alimentava de prána.
Mesmo assim, ele sofreu intensamente com a fome e chegou à conclusão de que aquele caminho não conduzia à iluminação. Então abandonou essa prática, voltou a alimentar-se adequadamente, recuperou as forças e pôde atingir o Nirvana.
Sendo assim, segundo esses ensinamentos, o Budismo não prega o ascetismo.
No misticismo, muitas pessoas consideram o ascetismo uma prática de elevadíssima ordem, principalmente por influência do Hinduísmo. Acreditam que quem o pratica é muito evoluído por conseguir abandonar tantas necessidades do corpo, mas não percebem que outra tradição, o Budismo, apresenta uma visão diferente.
Isso acontece porque nem sempre estamos acostumados a questionar. Mesmo sendo contrário ao ascetismo, muitas pessoas no Zen Budismo defendem o voto de silêncio, no qual a pessoa permanece anos sem falar.
Segundo a Psicologia, é por meio dos relacionamentos que desenvolvemos o autoconhecimento. Dessa forma, segundo esses ensinamentos, o voto de silêncio pode dificultar esse processo.
O relacionamento é uma necessidade muito importante do ser humano e, quando é constantemente negado, pode fazer a pessoa sentir-se mal, vibrando em níveis mais baixos devido à insatisfação dessa necessidade.
No Budismo, as Quatro Nobres Verdades ensinam que a insatisfação está relacionada ao sofrimento e, segundo esses ensinamentos, o sofrimento corresponde a um estado vibratório negativo.
Nosso espírito está ligado ao corpo por meio de um sistema energético, do qual os chakras fazem parte.
Quando desequilibramos o corpo, também desequilibramos nosso sistema energético e, consequentemente, nosso espírito.
No Sufismo, tradição mística, existe o ensinamento de cuidar bem do corpo, pois ele é a morada do espírito.
Temos necessidades psicológicas e físicas que precisam ser satisfeitas, e devemos respeitá-las.
Precisamos de descanso, lazer, alimentação, proteção, atividade física, autoestima e evolução espiritual.
Quando essas necessidades são atendidas, permanecemos em maior equilíbrio e bem-estar.
Existem religiões que ensinam de forma diferente, mas também existem aquelas que defendem essa visão.
Há uma frase atribuída a Buda que aconselha cautela diante de práticas que possam nos fazer mal, tanto ao corpo quanto à mente:
"Não acrediteis numa coisa apenas por ouvir dizer. Não acrediteis na fé das tradições só porque foram transmitidas por longas gerações. Não acrediteis numa coisa só porque é dita e repetida por muita gente. Não acrediteis numa coisa só pelo testemunho de um sábio antigo. Não acrediteis numa coisa só porque as probabilidades a favorecem ou porque um longo hábito vos leva a tê-la por verdadeira. Não acrediteis no que imaginastes, pensando que um ser superior a revelou. Não acrediteis em coisa alguma apenas pela autoridade dos mais velhos ou dos vossos instrutores. Mas aquilo que vós mesmos experimentastes, provastes e reconhecestes verdadeiro, aquilo que corresponde ao vosso bem e ao bem dos outros, isso deveis aceitar e por isso moldar a vossa conduta."
No Taoísmo, devemos manter o equilíbrio entre o Yin e o Yang para desenvolver o autoconhecimento, a saúde e a longevidade.
Segundo esses ensinamentos, no Taoísmo o corpo corresponde ao Yang e o espírito ao Yin. Assim, é importante cuidar de ambos.
Satisfazer as necessidades do corpo não significa materialismo, riqueza ou egoísmo. Significa alimentar-se, descansar, cuidar da saúde e atender às necessidades físicas.
Satisfazer as necessidades do espírito significa cultivar a autoestima, evoluir espiritualmente, praticar e receber caridade, entre outras atitudes.
Existem pessoas que acreditam que devemos ajudar apenas os outros e nunca a nós mesmos. Segundo esses ensinamentos, isso não é correto, principalmente dependendo do momento que estamos vivendo.
Às vezes precisamos de uma palavra amiga. Às vezes precisamos que alguém fortaleça nossa autoestima. Qualquer gesto de bondade dirigido a nós também é uma forma de caridade.
Segundo esses ensinamentos, Chico Xavier, mesmo sendo um iluminado, também precisou da caridade, do carinho e da atenção de sua mãe.
Assim, segundo esses ensinamentos, o Taoísmo, diferentemente da visão apresentada no texto sobre o Hinduísmo, não ensina que seja necessário abandonar tudo e viver isolado, mas permanecer na sociedade, ter uma casa e viver em comunidade.
Além disso, permanecendo na sociedade, cuidando melhor da saúde e convivendo com as pessoas, aumentam também as oportunidades de ajudá-las.
Evolua sem sofrimento, com saúde e bem-estar.





