Por: Ryath
Segundo os ensinamentos da antiga religião egípcia, o universo foi criado por um Deus Supremo, chamado Hórus, que deu origem a tudo o que existe, inclusive aos outros deuses. As diversas divindades egípcias representam manifestações desse Ser Supremo e atuam na sustentação da natureza e do universo.
Assim como acontece com os Orixás na Umbanda, cada deus egípcio estava ligado a determinadas forças da natureza. Por isso, diferentes culturas utilizam nomes, imagens e histórias diferentes para representar as mesmas forças divinas.
Os antigos egípcios acreditavam que toda a criação estava ligada ao Uno, a força primordial que une e sustenta todas as coisas. Compreender ou vivenciar essa união era o objetivo do misticismo, que busca a expansão da consciência até perceber a ligação entre todos os seres e Deus.
Para alcançar esse estado, eram utilizadas práticas espirituais como a oração, a meditação, a magia e outras formas de desenvolvimento interior. Essas práticas podiam proporcionar experiências espirituais profundas, como a expansão da consciência e a percepção da realidade espiritual.
A magia era considerada um conhecimento sagrado e não deveria ser ensinada a qualquer pessoa. Por isso, aqueles que desejavam se tornar iniciados precisavam passar por diversos testes. Um deles consistia em permanecer durante três dias em jejum e isolamento dentro de uma câmara do templo. Após esse período, o candidato deveria apresentar uma senha obtida por meio da Viagem Astral. Segundo esse entendimento, somente aqueles considerados dignos pelo Plano Espiritual conseguiam recebê-la.
Esses testes buscavam garantir que a magia fosse utilizada apenas para o bem. Quando uma civilização passava a usar esse conhecimento por orgulho, vaidade ou egoísmo, acabava perdendo seus recursos espirituais. Segundo essa tradição, foi isso que aconteceu tanto na Atlântida quanto no Antigo Egito.
Os egípcios ensinavam que o ser humano é formado por várias partes. Entre elas estão o corpo físico (Khat), a energia vital (Ka), a personalidade (Ba), a parte divina e imortal (Akh), o coração espiritual (Ab), o poder concedido pelos deuses (Sekhem) e outros aspectos espirituais.
A parte divina existente em cada pessoa é eterna e representa uma parcela do próprio Deus. O coração espiritual era considerado a fonte da sabedoria, da bondade e da verdade. Por isso, desenvolver a humildade, a simplicidade e aprender a ouvir o coração eram considerados passos importantes para a evolução espiritual.
Após a morte, acreditava-se que a personalidade deixava o corpo e iniciava uma jornada pelo mundo espiritual. Durante essa caminhada, a alma passava por diversas provas, como viajar no barco do Deus Rá, atravessar sete portas, enfrentar o julgamento de Osíris diante de quarenta e dois juízes e, por fim, passar pela pesagem do coração.
Se o coração fosse mais leve do que uma pena, isso demonstraria pureza espiritual, permitindo que a alma alcançasse o Paraíso. Caso contrário, ela teria novas oportunidades de reencarnar até alcançar a iluminação e não precisar mais voltar ao mundo físico.
O Livro dos Mortos reunia orações, orientações e fórmulas mágicas que ajudariam a alma durante essa jornada espiritual. Esses ensinamentos eram preparados para cada pessoa, de acordo com sua vida e suas necessidades.
A mumificação tinha como objetivo preservar a energia vital do falecido, chamada Ka, para auxiliá-lo após a morte. Durante esse processo eram realizados rituais, oferendas, orações e práticas mágicas.
Os antigos egípcios também ensinavam que existem três grandes planos de existência: Ta, o mundo físico; Duat, o mundo espiritual intermediário; e Nut, o mundo superior, onde vivem as almas mais elevadas.
Segundo esse entendimento, as almas evoluem gradualmente por meio de diversas reencarnações, desenvolvendo bondade, sabedoria e amor até alcançarem a iluminação espiritual.
Entre todas as divindades egípcias, Amon ocupava uma posição de grande destaque. Era considerado um dos maiores deuses do panteão egípcio, ligado à criação, ao vento, ao ar e ao poder divino. Recebia diversas representações simbólicas, como homem de pele azul, carneiro, ganso, leão e outras formas, demonstrando que as imagens eram apenas maneiras de representar aspectos da divindade.
Os antigos egípcios compreendiam que nenhuma representação conseguia mostrar exatamente como os deuses realmente são. As imagens e histórias serviam apenas como símbolos para transmitir ensinamentos espirituais.
Segundo essa tradição, o Antigo Egito foi uma das civilizações espiritualmente mais desenvolvidas da Terra. Ali nasceram almas muito evoluídas, surgiram conhecimentos profundos sobre magia, espiritualidade e autoconhecimento, e foram desenvolvidas práticas voltadas ao aperfeiçoamento moral, à expansão da consciência e à união com Deus.
O principal ensinamento deixado por essa tradição é que a verdadeira evolução espiritual acontece quando desenvolvemos humildade, amor, bondade, sabedoria e pureza de coração, utilizando todo conhecimento espiritual para fazer o bem.





