Filme Lucy: Uma Representação do Processo de Evolução Espiritual

Por: Ricardo Chioro
(Parte deste texto é canalizada dos Mestres Ascensos)


Mitos ou parábolas escondem verdades espirituais; portanto, uma mitologia é uma história que, por trás dela, carrega ensinamentos profundos. As religiões fizeram muito isso para proteger o conhecimento espiritual de pessoas mal-intencionadas. Hoje em dia, o cinema também faz isso — e, muitas vezes, de forma ainda mais envolvente.
A mitologia por trás do filme Lucy representa o processo de evolução da consciência em níveis muito elevados, até um ponto que muitos consideram o ápice — embora existam diferentes interpretações sobre isso.
No filme, o corpo de Lucy absorve uma grande quantidade de uma droga chamada CPH4. Com isso, ela passa a desenvolver habilidades decorrentes do uso de uma porcentagem maior do cérebro. Ao longo da história, esse uso aumenta progressivamente até chegar a 100%. Esse desenvolvimento cerebral simboliza, na narrativa, o processo de evolução espiritual.
No início, Lucy começa a deixar de desejar.
No budismo, utiliza-se a ideia de “cessar o desejo” como parte do caminho espiritual. No entanto, muitas vezes isso é mal interpretado. O ensinamento não se refere a eliminar todos os desejos, mas sim a abandonar os desejos negativos, ligados ao ego.
Isso se torna evidente quando percebemos que não devemos deixar de desejar o bem, o autoconhecimento e a evolução.
É provável que o autor tenha se inspirado no budismo, ainda que com algumas imprecisões de interpretação. Mesmo assim, isso não diminui a profundidade simbólica do filme.
Esses equívocos podem ocorrer por causa de traduções entre idiomas como tibetano, japonês e outros para o inglês — e, posteriormente, para o português —, o que pode gerar distorções.
No final do filme, Lucy absorve mais CPH4 para atingir o potencial máximo de sua mente. Com isso, ela cria um supercomputador para transmitir todo o seu conhecimento à humanidade. Nesse processo, transcende o tempo e o espaço: passa a enxergar diferentes momentos da Terra, encontra a primeira mulher da humanidade e observa a origem do universo, simbolizada pelo Big Bang.
Pouco antes de atingir o ápice, Lucy desaparece. Havia sido sugerido que, ao alcançar a totalidade de sua consciência, ela deixaria de existir como antes. Um policial que a acompanhava, ao não encontrá-la, pergunta desesperado:
— Lucy, cadê você?
Então, o celular dele toca. Ao atender, aparece na tela a resposta:
— Em todo lugar.
Dentro do misticismo, há crenças de que, ao atingir o auge da evolução espiritual, o ser se une ao divino, tornando-se um com Deus, sem necessariamente perder sua essência.
Nesse sentido, Lucy “estar em todo lugar” pode simbolizar essa união com o divino, o fim de uma jornada evolutiva — já que o Criador está em toda parte.
No entanto, existem outras visões. Uma delas afirma que a evolução nunca termina: o ser está sempre em desenvolvimento, aproximando-se cada vez mais do Criador, sem jamais se tornar igual a Ele.
Outra perspectiva, presente no espiritismo, sugere que existe um alto grau de evolução a ser alcançado, mas sem fusão total com o divino — o ser continuaria existindo em um plano elevado.
No contexto do filme, o desenvolvimento do cérebro funciona apenas como uma metáfora para o desenvolvimento espiritual. Na realidade, não se trata do cérebro em si, mas da evolução da alma — sendo o cérebro uma representação simbólica.
O psicólogo Carl Jung, discípulo de Freud e fundador da Psicologia Analítica, afirmava que a alma humana anseia pelo retorno ao divino. Esse impulso leva ao desenvolvimento da consciência — e talvez por isso o filme seja tão impactante, pois toca algo profundo dentro de nós.
Jung também dizia que existe, no inconsciente humano, uma imagem do divino, que pode se manifestar como uma criança divina, um ancião sábio, uma mandala, um casal sagrado, entre outras formas. Essas imagens são arquétipos — representações simbólicas que nos ajudam a compreender o que está além da nossa percepção direta.
Da mesma forma, existem inúmeros outros símbolos no inconsciente: a bruxa pode representar a figura materna negativa; a fada, a materna positiva; o velho, a sabedoria; a criança, a pureza — e assim por diante.
Se há uma imagem simbólica do divino em nós, talvez o desejo de união com Deus também seja simbólico — representando um grande avanço espiritual. Nessa visão, o ser não se integra completamente ao divino, mas alcança um nível elevado de compreensão em sua consciência.
Saindo um pouco da análise do filme, vale mencionar uma curiosidade:
O mestre DeRose ensina que, ao desenvolver habilidades como clarividência, clariaudiência, telepatia, desdobramento e mediunidade, a pessoa passaria a utilizar uma capacidade maior do cérebro.
Na yoga, existem práticas voltadas ao desenvolvimento desses potenciais, frequentemente associadas ao despertar da kundalini, que simboliza a expansão da consciência.
No entanto, do ponto de vista científico, ainda há debates sobre a ideia de que utilizamos apenas 10% do cérebro.

 

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