Por: Ryath
O filósofo moderno Blaise Pascal critica a pura razão e uma filosofia baseada apenas nela, como a de René Descartes. E isso é significativo, pois Pascal viveu justamente no século do racionalismo.
Para Pascal, a razão é passível de erro e pode se confundir com a imaginação. Posteriormente, com o desenvolvimento da Psicologia, sabemos que a mente pode se enganar e que temos certas tendências a enxergar as coisas de determinadas maneiras, das quais dificilmente conseguimos sair.
Nas filosofias orientais, a condição normal das pessoas é a ilusão. A forma de acabar com essas ilusões é atingir a iluminação, que consiste em obter um autoconhecimento muito grande.
A palavra Buda significa “desperto”, ou seja, aquele que despertou das ilusões.
Blaise Pascal ensina que o coração não está relacionado apenas ao romance e aos sentimentos caóticos. Para ele, o coração possui uma capacidade intuitiva de conhecer e aprender sobre a realidade.
O coração capta certas verdades primeiras — como o espaço, o tempo, o movimento e a própria existência de Deus — de forma imediata. Essas verdades servem de alicerce para que o intelecto e a razão possam construir seus raciocínios posteriores. Primeiro, porém, o conhecimento precisa ser apreendido pelo coração.
O raciocínio pode errar ao elaborar conhecimentos verdadeiros que foram apreendidos pelo coração. Nesse caso, não é o coração que se engana, mas a razão que pode cometer erros durante sua elaboração e interpretação.
Pascal reconhecia o valor da ciência e da geometria, mas apontava os limites intransponíveis do intelecto puro. Para ele, a dedução lógica depende de premissas que ela mesma não consegue provar por si só. Por isso, é necessário que o coração reconheça e apreenda aquilo que serve de fundamento para essas deduções lógicas.
Assim, a lógica é complementada pelo coração.
Para Pascal, o conhecimento sobre Deus vem do coração, e não da razão.
A verdade de Deus é sentida pela alma.
A fé faz parte de um conhecimento que ultrapassa os limites da razão.





