Por: Ryath
O Budismo tem um ideal de amor, que é o desejo de que os seres sejam felizes, sem terem posse ou dependência do outro.
Para o amor ser sem posse, ele precisa buscar a liberdade e o bem-estar do outro, sem querer prendê-lo ou controlá-lo. Assim, ele não sufoca.
Para o treinamento de amor do Budismo, sem posse ou controle, faz parte o treinamento de aceitarmos a impermanência das coisas, ou seja, que tudo muda o tempo todo, e o que nos resta, sendo assim, é aproveitar o presente.
Tem uma frase que meu mestre usa muito, que é assim: o futuro a Deus pertence.
Não sabemos o futuro e não podemos controlar o outro para controlar o futuro, pois, assim, o outro perde a liberdade.
É, sobretudo, respeitar a liberdade do outro.
Mesmo que a presença do outro traga felicidade, não posso prendê-lo, pois, assim, ele perde a liberdade.
Prender não é ter compromisso, mas, sim, ter controle sobre o outro.
Assim, o Budismo cultiva a vontade de oferecer felicidade.
O amor, para o Budismo, é a vontade de que o outro seja feliz, e a compaixão é a vontade de que ele não sofra.
O Budismo ainda fala de nos alegrarmos com a felicidade.
O que faz uma pessoa querer controlar o outro no relacionamento é a insegurança, o medo de perder e o medo de ser traído.
O desapego não é do outro, mas das próprias emoções da insegurança e do medo.
A raiz do problema é a insegurança e o medo; está dentro, e não fora.
Por isso, a pessoa precisa trabalhar a si mesma, se enxergar e se reconhecer.
A pessoa que é possessiva, ou seja, que quer controlar o outro, que tem medo e insegurança, mesmo que não saiba disso, é quem sente ciúmes.
O ciúme está dentro.
É dentro que a gente precisa trabalhar.
Então, não é o desinteresse pelo outro que devemos trabalhar, mas, sim, continuar amando, fazendo com que o outro seja importante para nós, e trabalhar para eliminar a insegurança, o medo de perder e o medo da traição.
O amor é a melhor coisa que existe, é fonte de grande felicidade, mas o ciúme e a insegurança trazem sofrimento. Ou seja, trazem um atrapalho para algo que é bom demais, algo que poderia ser ainda melhor sem essas coisas ruins.
Fiquem com a luz.
Seres de luz.





