Ryath
Nascimento, velhice, morte, dor, tristeza, doença mental, decadência, desgosto, desespero e muitas outras situações trazem sofrimento.
Para o Budismo, a forma de eliminar esse sofrimento é atingir o Nirvana, ou Nibbana, e a religião do Buda oferece treinamentos para que isso seja alcançado.
É importante esclarecer que não se trata do fim de todo sofrimento, mas de muitos deles.
Muitas formas de sofrimento são transcendidas por meio do desprendimento daquilo que causa dor.
Nós nos desprendemos apenas daquilo que é ruim, e não das coisas boas, como a compaixão e a sabedoria. Porém, se passarmos a nos considerar superiores aos outros por causa de nossa compaixão e de nossa sabedoria, essa sensação de superioridade — que é orgulho e vaidade — deve ser transcendida.
A compaixão e a sabedoria não são abandonadas, pois são qualidades positivas. O que deve ser superado é apenas o orgulho e a vaidade, por serem aspectos negativos.
A meta do Budismo é o desenvolvimento da compaixão e da sabedoria.
Os sofrimentos que podem ser dissipados são limitações de um self (palavra que significa "si mesmo") limitado, que ainda não possui a consciência necessária para alcançar a libertação.
Tudo isso faz parte da vida interior do ser humano. A insatisfação, ou o sofrimento que pode ser transcendida para a aquisição do Nirvana, refere-se a um estado psicológico.
Por isso, lembramos que o Budismo pode ser compreendido como uma psicologia e uma filosofia, mas também possui um aspecto religioso que muitas pessoas acabam esquecendo, pois ensina sobre a vida após a morte, outras dimensões, diferentes planos de existência de acordo com o nível de consciência dos seres, karma, renascimento, rituais e muitos outros temas.
O fim desse sofrimento acontece com a transcendência da parte do ser voltada para o ego — o self menor — e com o desenvolvimento do self maior, um "si mesmo" que se percebe como parte de tudo e que compreende que tudo também faz parte de si.
Preocupações, medos e o hábito de nos abalarmos excessivamente com alguns problemas constituem uma forma de encarar a vida que gera insatisfação e sofrimento psicológico.
Quem atingiu o Nirvana consegue lidar muito melhor com o sofrimento. Como exemplo, Jesus aceitou passar pela crucificação por um ideal, pois precisava enfrentar essa situação para cumprir sua missão. Segundo essa compreensão, sem isso o Cristianismo não teria se desenvolvido.
Jesus orou para não precisar passar por esse sofrimento, mas conseguiu enfrentá-lo. A grande maioria das pessoas não aceitaria viver uma situação semelhante.
Isso demonstra que ele conseguiu lidar com a insatisfação de ter que enfrentar um sofrimento muito grande.
Os iluminados possuem uma grande força interior. Assim, Jesus sofreu menos do que uma pessoa comum provavelmente sofreria ao saber que seria crucificado e morto.
Mesmo assim, orou a Deus para que fosse poupado daquela situação.
A insatisfação surge da ideia de termos de passar por situações que não desejamos ou que consideramos desagradáveis. Um Buda já se encontra mais desprendido dessas condições.
O sofrimento ao qual o Budismo se refere é, principalmente, um sofrimento psicológico, um problema interno que pode ser transformado.
A forma de conquistar o Nibbana é por meio do autoconhecimento. No Budismo, esse estado é alcançado pela prática das oito vias do Nobre Caminho Óctuplo.
O fim da dor psicológica acontece quando a pessoa se torna profundamente satisfeita com a vida, alcançando grande felicidade e plenitude. Esse é o remédio, fruto do treinamento espiritual ensinado pelo Budismo.
Certa vez, um Buda disse que se iluminou quando descobriu que a vida é boa.
Muito sucesso para você, e saiba também que você pode atingir esse estado.
Namastê.





