A Integração da Personalidade, a Iluminação – Jung

Por: Ryath

1 – A Iluminação e o Inconsciente

Carl Gustav Jung foi um grande estudioso. Estudou muitas coisas, inclusive religiões, e foi o formador da Psicologia Analítica, ou Psicologia Junguiana. Ele ensinou que o processo que chamamos de iluminação em diversas religiões é o que ele chamou de integração da personalidade, que é o processo de tornar conscientes as coisas que estão no inconsciente.

No nosso inconsciente estão as coisas que não sabemos sobre nós mesmos. Tomar consciência dessas coisas é aprender sobre nós mesmos aquilo que ainda não sabíamos. Isso é o autoconhecimento.

Jung chamou o autoconhecimento de individuação.

2 – A Sombra

A Sombra é o centro do inconsciente, e nela estão os aspectos negados, reprimidos ou desconhecidos da psique, como raiva, medo, inveja, orgulho, vaidade e diversos dos chamados pecados.

Quando ignorada ou rejeitada, a Sombra não desaparece, mas continua influenciando o comportamento do indivíduo, mesmo que ele não a reconheça. Ela continua existindo, e é dela que devemos tomar consciência.

Não são aspectos aceitos por nós e, por isso, são enviados para o inconsciente. Fazemos isso sem perceber, ou seja, o processo também é inconsciente e não o percebemos.

Por estarem presentes em nosso comportamento sem que os vejamos, muitas vezes outras pessoas percebem esses comportamentos em nós sem que tenhamos consciência deles.

Enxergar a Sombra é integrá-la, e isso exige aceitar a própria escuridão interna.

3 – Sombra Dourada

Existe no inconsciente uma Sombra que não vemos e que é boa. Por isso, ela recebe o nome de Sombra Dourada. Nela estão virtudes, qualidades espirituais, morais e éticas, talentos e outras coisas que normalmente são bem vistas.

Porém, devido a condicionamentos sociais e ao medo, podemos mandar esses conteúdos para o inconsciente. Então, além de não enxergarmos algumas coisas ruins em nós mesmos, também podemos deixar de enxergar coisas boas que possuímos.

Dourado se refere à cor do ouro, de algo precioso. Então, é uma cor que representa algo que não vemos, pois está no inconsciente, mas que é bonito e agradável.

4 – Luz

O oposto da Sombra, que representa aquilo que não vemos, é a luz. Então, o processo é iluminar aquilo que não vemos, iluminar o que somos por dentro e enxergar isso.

Enxergar o que somos por dentro não significa ver nossos ossos, órgãos internos, sangue, músculos etc., mas aquilo que existe dentro de nossa mente e de nosso emocional.

A iluminação é enxergar e entender os nossos processos internos.

A iluminação culmina na autorrealização, que é quando todas as potências da personalidade são unificadas.

5 – O Final do Processo de Integração da Personalidade: a Iluminação

Existe um arquétipo, que é uma parte organizadora da psique ou da mente humana, que integra tudo o que o ser humano é por dentro.

O que ocorre no final desse processo é que o ego deixa de ser o chefe da mente, e o Self passa a comandar a psique.

As tradições e filosofias falam da iluminação como o final ou a extinção do ego.

Jung fala da integração desse ego, que consiste em enxergá-lo e aceitá-lo, assim como aos outros conteúdos da Sombra e do inconsciente.

As tradições espirituais ainda falam que o ser humano que chega a esse estado alcança a plenitude, um amor imenso e uma grande sabedoria.

O Self é conhecido também como o arquétipo de Deus e faz nossa ligação com Deus.

Uma pessoa que atinge a iluminação não se torna Deus, mas se une a Ele, alinhando mais sua vontade e seus sentimentos com os Dele e, por isso, tornando-se plena.

 

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