Interpretações Materialistas para a Obra de Jung – A Mediunidade

Por: Ryath

Após os eventos de perseguição da ciência pela Inquisição, essa área do conhecimento científico passou a ter uma recusa da religião, sendo ela e as coisas similares a ela refutadas, desacreditadas e vistas com preconceito. Isso fez com que muitas pesquisas, com resultados tão positivos que mostram a vida após a morte, a reencarnação e outros fenômenos, fossem ignoradas, malvistas e desacreditadas.

Jung pesquisou a mediunidade e, para ele, encontrou relações entre ela e sua teoria. Nesse fenômeno, a pessoa entra em contato com arquétipos e outros conteúdos do inconsciente, como os complexos, por exemplo. Mas Jung não descartou a real possibilidade de uma manifestação de espírito, algo que muitos ignoram e dizem que o fenômeno se reduz ao inconsciente.

Para Freud, a mediunidade era loucura ou charlatanismo, mas, para Jung, tratava-se de fenômenos espirituais, sem descartar a possibilidade de manifestações de espíritos.

Allan Kardec também percebeu a possibilidade de erro na mediunidade, e isso inclui o que hoje chamamos de interferência do inconsciente do médium na manifestação mediúnica.

Inconsciente é aquilo que não percebemos sobre os nossos conteúdos internos. Assim, na mediunidade, o espírito não anula a mente do médium e coloca a sua no lugar, mas atua sobre a mente do médium, que tem suas próprias defesas e sua visão de mundo. Essa visão pode ser errônea ou limitada.

O espírito que se utiliza da mente do médium pode não conseguir colocar sua visão na manifestação. Porém, sem querer ou perceber, o médium pode colocar a própria visão, não deixando o espírito se manifestar plenamente.

Sendo assim, em uma sessão mediúnica, o médium pode acreditar que toda traição é sinônimo de que o traidor é uma má pessoa. Assim, quando uma pessoa que trai é orientada por esse médium, ele pode chamá-la de má. Mas, na verdade, ela pode não ser má: seu marido pode não ter dado a ela nenhuma atenção, carinho ou amor com o passar dos anos, e então ela buscou isso em outra pessoa.

Então, esse médium do exemplo pode ser visto, por alguém que não acredita em mediunidade, mas acredita que a mediunidade seja uma manifestação do inconsciente, como alguém que está expressando apenas a visão do próprio inconsciente durante a sessão mediúnica, e não como um espírito. Quando, na verdade, o espírito não conseguiu transmitir sua visão e ajudar a pessoa carente de amor que cometeu a traição.

No fenômeno mediúnico, encontram-se grandes acertos, como no caso de Chico Xavier, em que sua psicografia foi comparada por grafologistas com as letras das pessoas falecidas que ele psicografou, ou seja, daqueles desencarnados, e a letra apresentava características dessas pessoas. Ele também previu sistemas avançados de informação que poderíamos acessar de casa, isso em 1971.

Existem muitas provas relacionadas a Chico Xavier, mas ele era um médium sem igual, por ser um iluminado e por ter dedicado sua vida à mediunidade, o que um médium comum não faz.

Isso não quer dizer que Chico não fosse falível ou que não pudesse cometer erros. Ele previu o carro voador, coisa que ainda não aconteceu e que não podemos dizer se acontecerá. Também falou sobre a vida em Marte, algo que a ciência mostrou que, na mesma dimensão em que vivemos, não existe vida como a humana por lá, a não ser que estejam se ocultando de nós.

O fato é que, na mediunidade, encontramos muitas provas, tanto em curas quanto em materializações e informações recebidas.

O fato é que Jung preferiu não entrar profundamente na questão dos espíritos, mas percebeu que, nos fenômenos, existem manifestações do inconsciente e dos arquétipos, restringindo-se à área de sua ciência. Muitos psicólogos, porém, não fazem essa distinção, interpretando suas explicações dos fenômenos como manifestações unicamente da mente do próprio médium, e não também como manifestações de entidades que existem fora dele.

Jung não conheceu a Umbanda, mas, nela, os espíritos se manifestam por meio de formas relacionadas aos arquétipos. Por exemplo, espíritos de sábios se manifestam como anciões, também chamados de Pretos Velhos, sendo o velho um arquétipo ou símbolo da sabedoria.

Espíritos puros, ou Erês, manifestam-se como crianças, que representam o arquétipo ou símbolo da pureza.

Os espíritos, nas escolas espirituais que frequentam, aprendem a se manifestar dessa maneira, talvez utilizando os arquétipos do médium, pois usam a mente do médium para se manifestar e encontram nela pontos de afinidade com determinados arquétipos. Isso facilita seu trabalho, pois a mente pode ajudar ou atrapalhar o fenômeno.

Mas, na mediunidade, existem fenômenos incríveis, nos quais são feitas verdadeiras revelações e apresentadas provas materiais, como as próprias curas de que falamos ou as materializações.

 

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