Por: Ryath
A psicoterapia tem como meta o autoconhecimento, assim como a Yoga, que possui essa mesma finalidade; por isso, Jung via essa semelhança.
Jung estudava a filosofia dos Vedas, que funciona como um manual para vivermos no mundo, assim como a psicoterapia, que nos ajuda a viver nele. Ambas dão suporte para a vida e para o autoconhecimento.
Certa vez, uma professora de Psicologia disse, em uma aula, que não devemos falar para as pessoas como elas são, mas dar pistas para que elas se autodescubram por si mesmas, pois é isso que deve acontecer para seu crescimento espiritual. O autoconhecimento tem que vir de dentro, não de fora.
Autoconhecimento é evolução espiritual, e essa evolução não existe se a pessoa não se enxergar por si mesma. Assim, existem pequenas orientações que podemos oferecer para que as pessoas se autodescubram. Nos Vedas, especialmente no Vedanta, existe um trabalho semelhante, e o terapeuta também atua dessa forma.
Com um terapeuta, você tem uma ajuda pessoal para seu autoconhecimento, mas, na Yoga no Ocidente, essa ajuda costuma ser mais coletiva, embora conte com muitos exercícios para a evolução espiritual, como os ásanas (posturas), a meditação, os mudras e os exercícios de respiração.
Em diversas filosofias ou religiões, você também pode ter um mestre, que oferece uma ajuda pessoal.
Quando falamos em Yoga na Psicologia — que é a ciência que estuda o ego —, existe uma crítica: a falta de educação em alguns praticantes, que querem demonstrar mais habilidade que os outros, buscando status, o que está ligado ao orgulho e à vaidade.
Na Índia, também existe muito essa questão do ego na prática, com competitividade em relação às posturas, à espiritualidade e à maestria.
Dizem que, quando um praticante de Yoga está avançando espiritualmente, ele não se exibe. Ele realiza as posturas não buscando as mais bonitas, mas as mais eficientes para desenvolver seu autoconhecimento, pois seu ego vai perdendo o interesse por esse tipo de exibição.
O ego se afasta da realidade para querer mostrar o que não é, buscando exibição e engrandecimento.
Quando, na verdade, o importante é praticarmos para nossa espiritualidade, ou seja, para nossa evolução espiritual.
Jung via o processo de autoconhecimento como uma adaptação à realidade, em que o mundo não foi feito para nos agradar, mas nós nos adaptamos a ele e nos tornamos felizes nele.
Nas filosofias orientais, destacam-se duas qualidades importantes para essa adaptação: o desapego e a aceitação. Eu acrescentaria também o amor e o perdão.
Devemos tomar cuidado, pois algumas pessoas confundem o desapego com frieza, que é a ausência de sentimentos. Na verdade, a espiritualidade está ligada aos sentimentos, e sua ausência representa falta de espiritualidade.
Desapego é conseguir viver sem algo ou alguém sem sofrer; é a ausência de posse sobre o outro.
Sofremos com a perda, seja de algo material ou de alguém, porque desenvolvemos um sentimento de posse.
Jung indicava que, para compreender o autoconhecimento, seria interessante estudar os textos dos Vedas — especialmente o Vedanta.
Mas, para entender o autoconhecimento, você também pode acessar nossa seção sobre o tema, onde encontrará orientações. E, na seção de práticas, poderá desenvolver sua evolução espiritual.




