Jung e Deus

Por: Ryath

Para Jung, Deus não é algo abstrato nem ilusório, mas sim uma realidade que pode ser vivenciada pela alma humana.

Podemos sentir que Deus existe, e isso está dentro de nós.

Em uma entrevista à BBC, Jung afirmou que não precisava acreditar em Deus, pois sabia que Ele existia. Essa frase ficou muito famosa, pois o divino é uma experiência que podemos vivenciar.

O Divino, dentro do ser humano, também pode ser vivenciado por meio dos sonhos.

Jung trabalhou os sonhos em sua Psicologia.

Jung também trabalhou Deus como uma imagem, dizendo que não sabemos como Ele é, mas, através de símbolos, imagens e mitos, conseguimos nos relacionar com Ele.

Deus é uma grandiosidade que transcende o intelecto.

Existe, dentro de nós, em nosso inconsciente coletivo, o Arquétipo de Deus, que corresponde ao Self, que é uma estrutura psíquica inata compartilhada por toda a humanidade.

O Self é o arquétipo do conjunto de tudo o que existe psiquicamente dentro do indivíduo e também é o arquétipo que funciona como centro ordenador da totalidade da psique humana.

O Self corresponde a tudo o que o ser humano é por dentro.

Sócrates e Platão afirmavam que a alma humana é o que o ser humano é por dentro, que eles chamaram de psyché, que é o que hoje chamamos de psique, palavra que dá nome à Psicologia, ou seja, ao estudo do que o ser humano é por dentro.

Essa necessidade de expressar o divino surge espontaneamente em sonhos, mitos e religiões ao redor do mundo, sem depender de uma doutrina específica. Apesar disso, quem tem maior contato consigo mesmo, ou seja, com sua interioridade, tem mais contato com esse Deus que existe dentro de nós, podendo senti-Lo mais.

Quanto mais uma pessoa se autoconhece, mais interioridade ela tem, assim como saúde psíquica, ou seja, saúde emocional e mental.

Jung dizia que o ser saiu de Deus, deseja voltar para Ele, e esse voltar para Ele é o autoconhecimento.

As doutrinas místicas buscam a união do ser com Deus.

Essa união acontece quando a pessoa rompe com o ego e, assim, passa a sentir o Todo dentro dela, tendo experiências de expansão da consciência.

Esse rompimento com o ego pode ser uma experiência passageira, como tantos sábios, filósofos, místicos e religiosos tiveram na história humana, ou pode ser algo constante, quando se consegue um tal autoconhecimento que nos desprendemos do ego de forma permanente.

Esse processo é chamado de iluminação espiritual em diversas tradições espirituais. É um processo que Jung chamava de integração da personalidade, no qual integramos, por meio do autoconhecimento, todos os nossos conteúdos psíquicos, como sombra, ego, anima, animus e muitos outros, desbravando esses conteúdos com a consciência, ou seja, conhecendo-os.

Esse processo de iluminação é chamado de Santidade no Catolicismo, Nirvana no Budismo, Moksha no Hinduísmo, Ascensão no Platonismo, no Esoterismo e no Umbandismo, Samadhi na Yoga, Imortalidade no Taoísmo etc.

A Imortalidade do Taoísmo não é viver para sempre na carne, mas atingir uma realidade transcendente e eterna.

Assim, Deus, o autoconhecimento e a iluminação estão todos ligados.

É interessante que o Arquétipo de Deus, nos ensinamentos de Jung, seja o organizador da psique, assim como a totalidade da psique, pois Deus fez a alma por dentro, colocou tudo dentro dela, e Deus é tudo, assim como organiza tudo.

Está escrito na Bíblia que não cai uma folha de uma árvore se Deus não quiser.

 

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