Por: Ryath
O campo da ciência, após tudo o que sofreu na Inquisição, passou a ver com preconceito os temas associados à religião, surgindo um preconceito contra essa área humana e os temas relacionados a ela.
Muito comumente, os cientistas são ateus, como Freud. O próprio Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou Allan Kardec, era ateu antes de conhecer os fenômenos mediúnicos.
Jung foi criado por pastores evangélicos e lia sobre tudo, incluindo religiões e filosofias orientais, religiões ocidentais e esoterismo.
Jung, em seu espírito investigativo, pois foi um cientista, investigador da mente e criador de uma Psicologia, diferente de Freud, não manteve sua mente completamente fechada para assuntos espirituais. Ele viu elementos espirituais no sistema psíquico, assim como semelhanças desse sistema com religiões, mitologias e símbolos, incluindo os religiosos e esotéricos. Utilizou também as cartas do Tarô e o Oráculo do I Ching com seus pacientes, pois isso, na época, não era proibido.
Mas Jung não foi um religioso; muito pelo contrário, foi um investigador, como dissemos. Ele não queria seguir nenhuma autoridade religiosa. Lia, mas evitava o contato com mestres para não ser doutrinado, podendo perceber o que fosse possível sobre seus estudos e investigações da mente humana sem se deparar com uma mente já formada sobre o assunto e se influenciar por ela.
Jung fez sua tese de doutorado em sua investigação da mediunidade, coisa que seus colegas viam com muito preconceito.
Para ver sobre este estudo, acesse: Experiências de Jung com a Mediunidade
Jung iniciou como médico e psiquiatra para depois adentrar no campo da Psicologia, dando uma grande contribuição.
O sistema de cura na Psicologia se dá, em grande parte, pelo autoconhecimento, chamado por Jung de individuação. Ele percebeu que essa é uma busca por integridade psicológica e reflete perfeitamente os caminhos de iluminação, conversão ou ascensão descritos pelas grandes tradições espirituais e pela alquimia.
Jung chamava a iluminação espiritual de integração da personalidade, e esse conceito estava presente em sua teoria.
Já ouvi psicólogos e psiquiatras, em seus preconceitos, dizerem que a iluminação não existe, mas esse conceito existe dentro da Psicologia, seja na Psicologia Analítica ou Junguiana, na Psicologia Transpessoal ou em outras abordagens.
Jung também observou que a ausência de um sentido espiritual ou de conexão com o sagrado era a raiz de muitas neuroses. Ou seja, ele contribuiu para uma ideia que é muito mais vista hoje em dia: a de que o espiritual é importante para o ser humano.
A cura de muitos pacientes se dava quando eles se conectavam ou se reconectavam ao espiritual.
Uma das grandes contribuições ou descobertas de Jung para a humanidade é o inconsciente coletivo.
O inconsciente é a porção de nossa mente que não percebemos, com pensamentos, emoções, conhecimentos, imagens mentais, formas de ser e imaginações não percebidas por nós mesmos.
Jung percebeu que essa porção inconsciente, descoberta por Freud, tem também uma parte muito profunda compartilhada por toda a humanidade, que ele chamou de inconsciente coletivo.
Ou seja, a humanidade tem, em sua mente, uma porção que não é percebida, mas que é comum, igual ou parecida em toda a humanidade.
Esse inconsciente tem mitos comuns às religiões, imagens religiosas, espirituais e esotéricas.
Mais profundamente, para entendermos, o inconsciente coletivo vem de uma herança genética passada pela humanidade, concluiu Jung.
O conceito de Self, em Jung, é algo parecido com Deus, pois é o centro de toda a psique e de tudo o que ela é, tanto o consciente quanto o inconsciente.
Deus é tudo, e o Self é tudo o que somos.
Jung observou que, psicologicamente, as características atribuídas a Deus — totalidade, infinitude e união dos opostos — são idênticas às qualidades do Self.
Totalidade, infinitude e união dos opostos são qualidades vivenciadas nas experiências místicas, nas quais nos sentimos integrados a tudo o que existe e nos sentimos plenos.
Quando ficamos o tempo todo integrados a tudo, é o que chamamos de iluminação, que acontece quando rompemos a barreira do ego, que nos limita a experienciar o Todo.
O Self tem papel fundamental na iluminação, ou, como Jung chamava, na integração da personalidade.
Uma das coisas que achei mais bacanas com relação de Jung com o espiritual é que ele percebeu, tratando pacientes terminais, que o inconsciente deles não tratava sua situação como o fim da vida, mas como uma vida que teria continuação após a morte. Isso apareceu em manifestações do inconsciente desses pacientes e através de seus sonhos.
Para Jung, Deus não é uma ideia abstrata, mas uma realidade que pode ser vivenciada interiormente. O ser humano pode sentir o Divino dentro de si, inclusive por meio dos sonhos, símbolos, mitos e experiências religiosas.
Quanto mais a pessoa se conhece interiormente, maior é seu contato com essa dimensão divina e consigo mesma.
Jung também criou o termo sincronicidade para descrever quando acontecem “coincidências” significativas que não têm uma causa física direta. Por exemplo, pensar em um símbolo raro e, no mesmo instante, deparar-se com ele. Para ele, a sincronicidade demonstrava que a mente humana e o universo físico estão interligados por uma teia de significados, sugerindo uma realidade subjacente de natureza espiritual ou psicofísica.
Em uma área em que é comum não ver o espiritual como algo válido e real, como a ciência tem feito, é normal nomear Jung como um esotérico ou religioso, coisa que talvez ele não fosse, mas sim alguém que estudou, observou e investigou fenômenos psíquicos sem ter tantos preconceitos ou discriminações que os cientistas normalmente têm, possibilitando-lhe ver coisas que os outros se mantêm de olhos fechados para enxergar.
Na Medicina ocorre algo parecido, como com as EQMs, os estudos sobre reencarnação e tantos outros fenômenos que são ignorados e vistos com preconceito.
Veja nossa seção: Jung e o Espiritualismo





