A Kundalini e o Processo para Atingir o Nirvana

Por: Ryath
A Kundalini Shakti é a união das forças femininas e masculinas. Elas representam o processo de criação, da vida e da materialização.
O conceito de Kundalini surgiu na Índia, por meio do Tantra.
Na mitologia hindu, a Kundalini é uma deusa, cujo consorte é Shiva.
Shiva vive no céu, e a Kundalini, na Terra. Essas duas energias se completam e geram a vida.
Existe uma trindade formada pelo masculino, pelo feminino e pelo que eles geram.
O que a mitologia hindu procura representar com a união de Shiva e da Kundalini é o processo de geração que ocorre na união entre um homem e uma mulher, dando origem a um bebê.
Um casal precisa de um homem e de uma mulher para dar um corpo a uma alma que reencarna e, assim, possa evoluir.
Nosso Chakra Básico possui a energia sexual e telúrica. Ele recebe a energia da Terra, captando a energia que vem de baixo de nós, onde se encontra o nosso planeta, o mundo físico em que vivemos, e que está relacionado com a sobrevivência material.
Segundo as tradições hindus, a Kundalini permanece enrolada três vezes e meia no Chakra Básico. Esse número é uma associação às três Gunas, que representam a manifestação da vida na Terra.
As três Gunas são:

  1. Sattva – Nossas qualidades iluminadas, relacionadas ao Nirvana.
  2. Tamas – Nossas emoções em desequilíbrio, como as paixões e outros estados desequilibrados.
  3. Rajas – Nossas ilusões, ignorância e egoísmo.

Na fisiologia energética do ser humano, a Kundalini é uma energia que possui a forma de um fogo paralisado e envolve os chakras. Essas voltas representam as três Gunas.
As Gunas possuem três voltas e meia, sendo que a meia volta representa a libertação de todas elas.
Com exercícios e práticas da Yoga ou do Tantra, a Kundalini se direciona para o segundo chakra, aumentando seu alcance.
A princípio, a Kundalini está relacionada ao elemento terra. À medida que vai avançando, alcançando não apenas o segundo chakra, mas também os demais, ela passa a manifestar outros elementos além da terra.
Ao subir para cada chakra, a Kundalini assume as características do elemento correspondente ao respectivo centro de energia.
Os chakras são centros de energia.
No terceiro chakra, a Kundalini entra em contato com o centro relacionado ao ciúme, à insegurança, às paixões, à raiva, ao medo e às obsessões.
Quando esse terceiro chakra está em equilíbrio, proporciona estabilidade emocional; quando está em desequilíbrio, surgem essas emoções que citamos.
No processo de autoconhecimento, reconhecemos nosso ciúme, insegurança, paixões, raiva, medo e obsessões e, assim, transformamos essas emoções negativas.
Para que a Kundalini se ative, proporcione grande autoconhecimento e desperte nossos poderes paranormais por meio da subida aos centros de energia, é necessário que os canais por onde ela circula estejam limpos, pois, caso contrário, sua passagem fica obstruída.
Para que cada centro de energia esteja limpo, é preciso que as emoções e os pensamentos relacionados a ele estejam elevados, e não negativos.
Existe um trabalho dentro da Yoga voltado para nos mantermos mais puros, permitindo que a energia da Kundalini possa passar.
É muito comum que nossos chakras não estejam em equilíbrio, seja por nossas ações, pensamentos, emoções negativas ou pelos sofrimentos que enfrentamos.
Quando a Kundalini sobe para o Chakra Cardíaco, manifesta-se o amor. Para isso, porém, os demais centros de energia precisam estar limpos.
O terceiro chakra é o mais difícil de equilibrar, mas é extremamente compensador quando a Kundalini chega ao Chakra Cardíaco, pois o amor é a felicidade.
A energia cósmica, representada por Shiva, entra pelo Chakra Coronário, onde encontra a energia da Kundalini. Esse encontro é simbolizado pelo amor entre essas duas deidades hindus, representadas como um casal.
Assim como a energia da Terra precisa estar limpa para subir, a energia cósmica também necessita que os demais chakras estejam equilibrados para descer.
A subida da Kundalini continua até o Chakra Coronário, percorrendo todos os centros de energia.
A energia cósmica, que vem de cima, encontra a energia telúrica, que sobe da Terra, em todos os chakras.
O encontro dessas duas energias proporciona o êxtase. Porém, devido às nossas negatividades internas, normalmente não vivenciamos esse estado. É necessário um grande trabalho interior para alcançá-lo, mas vale muito a pena.
O êxtase é um estado de intensa felicidade e prazer, sendo uma experiência maravilhosa.
Assim, na mitologia hindu, Shiva e a Kundalini encontram-se dentro de nós.
Quando a Kundalini sobe para o Chakra Laríngeo, manifesta-se a realização, ou seja, a capacidade de colocar em prática nossos projetos, desejos e sonhos, desde que não façam mal a ninguém.
Esse processo também nos impulsiona à ação, estando relacionado ao trabalho e às realizações.
Subindo ainda mais, a Kundalini chega ao Chakra Frontal, localizado na testa, onde encontra a consciência do Criador, conduzindo-nos a um estado de contemplação.
O próximo nível é alcançar o Chakra Coronário, localizado no topo da cabeça, estado que é atingido quando a pessoa alcança o Nirvana.
É importante compreender, porém, que o Nirvana não precisa ser alcançado somente por meio do trabalho da Kundalini; ele também pode ser atingido por outros caminhos.
No Zen Budismo, por exemplo, a prática da meditação também desperta poderes paranormais, assim como a Kundalini. Entretanto, dentro dessa tradição, seus praticantes são orientados a não utilizar esses poderes, para não desenvolverem sentimentos de superioridade.
A prática da meditação Zen também tem como objetivo conduzir ao Nirvana. Não sabemos exatamente como ocorre esse trabalho energético durante a meditação, mas ela também desenvolve dons paranormais.
No Budismo, o treinamento para atingir o Nirvana, assim como na Yoga e no Tantra, envolve manter a mente purificada, abster-se do mal e praticar o bem. Dessa forma, também ocorre um processo de purificação.
O Budismo surgiu na Índia, com Buda, que foi praticante de Yoga.
Tanto no Budismo quanto na Yoga existem a prática do bem, a abstenção do mal, a meditação e a atenção plena como caminhos para o desenvolvimento espiritual.

 

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