A Meditação no Zen Budismo

Por: Ryath
A meditação é o centro da prática do Zen Budismo. O objetivo principal não é adquirir conhecimentos intelectuais, mas desenvolver o autoconhecimento por meio da experiência direta. Por isso, o Zen valoriza muito mais a prática do que o estudo.
Meditar é seguir o exemplo de Sidarta Gautama, o Buda histórico, que alcançou a iluminação por meio da meditação. Ao praticarmos, buscamos desenvolver em nós as mesmas qualidades que ele conquistou, como sabedoria, serenidade, amor, humildade e felicidade.
A principal prática do Zen é o Zazen, a meditação sentada. Durante essa prática, a pessoa permanece sentada, imóvel e procura não se prender aos pensamentos. O importante não é lutar contra a mente, mas simplesmente permanecer presente e voltar a atenção para a própria meditação.
Como ficar muito tempo sentado pode causar desconforto nas pernas, existe também o Kinhin, a meditação caminhando. Nos retiros, é comum alternar períodos de Zazen com alguns minutos de Kinhin para descansar o corpo e depois voltar à meditação sentada.
No Zen, praticamente qualquer atividade pode se transformar em meditação. Caminhar, cozinhar, lavar a louça, limpar a casa, realizar trabalhos manuais ou participar da cerimônia do chá podem ser práticas meditativas quando são feitas com Atenção Plena, ou seja, vivendo completamente o momento presente.
A Atenção Plena consiste em manter a mente voltada para o agora, sem ficar presa ao passado ou preocupada com o futuro. Essa prática fortalece a concentração e aprofunda a meditação.
Um ensinamento importante do Zen é não avaliar a própria meditação. Não devemos ficar pensando se a prática foi boa ou ruim, nem criar expectativas de obter resultados imediatos. Essas preocupações alimentam o ego, geram ansiedade e acabam dificultando a meditação.
Como ensina o Reverendo Genshô: "Apenas sente-se e medite."
Por isso, durante a prática, o ideal é não se cobrar, não se julgar e não buscar desempenho. Basta continuar praticando com tranquilidade, aceitando cada meditação como ela acontece.
A regularidade é mais importante do que a duração. Mesmo alguns minutos por dia ajudam a desenvolver a concentração, a calma e o autoconhecimento. Com o tempo, a mente se torna mais estável e preparada para experiências espirituais mais profundas.
Quando a prática amadurece, o meditante pode vivenciar o Kenshô, uma experiência em que percebe a Vacuidade. Nessa experiência, desaparece a sensação de separação entre si, as outras pessoas e a natureza. Surge a percepção de que tudo faz parte de uma única realidade interligada.
Essa experiência é considerada uma expansão da consciência, pois a mente deixa de perceber apenas a própria individualidade e passa a compreender a existência como um grande todo.
Quando o praticante desenvolve estabilidade nessa experiência e consegue acessá-la com facilidade, isso é chamado de Satori. Outro estado importante é o Samadhi, uma profunda concentração que favorece essa integração.
Segundo esses ensinamentos, a meditação não serve apenas para relaxar. Ela transforma a maneira como enxergamos a vida, desenvolvendo amor, compaixão, serenidade, gratidão, humildade e felicidade.
O caminho da meditação também está ligado ao Nobre Caminho Óctuplo, que ensina a cultivar a Atenção Plena, agir com ética, fazer o bem e evitar o mal. A prática da bondade gera karmas positivos e favorece o desenvolvimento espiritual.
O objetivo maior da meditação é conduzir ao Nirvana, um estado de profundo autoconhecimento, paz, felicidade e liberdade interior. Porém, o Nirvana não depende apenas de meditar. Ele é resultado da união entre a meditação, a prática do bem, a Atenção Plena, a humildade, a gratidão e o desenvolvimento contínuo da consciência.
Por isso, a prática deve ser feita com simplicidade, sem ansiedade e sem cobranças. Basta meditar todos os dias, cultivar pensamentos positivos, praticar o bem e confiar que, com o tempo, o autoconhecimento e a iluminação surgirão naturalmente.

 

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