A Mudança, a Insatisfação, a Aceitação e o Desprendimento

Por: Ryath
O Budismo nos alerta que a realidade, tal como ela é, costuma ser indesejável para muitas pessoas, pois tudo está em constante mudança. Nossos gostos, aquilo que possuímos e até mesmo o que nos faz bem podem mudar. Isso pode trazer insatisfação e até sofrimento.
Nós vamos envelhecer, nossa saúde se tornará mais sensível e perderemos a juventude e a beleza. Isso pode causar sofrimento e insatisfação, pois gostaríamos que fosse diferente.
O ser humano quase sempre procura não pensar nessas questões. Entretanto, o método budista aconselha justamente o contrário: refletir sobre elas. Essa reflexão é um caminho para desenvolver a aceitação e o desprendimento. Na minha opinião, é um aprendizado difícil e, em alguns momentos, pode até parecer um pouco depressivo.
Por outro lado, quando se trata das mudanças em nossos gostos, daquilo que nos faz bem ou do que possuímos, muitas vezes sofremos apenas ao imaginar essas mudanças. Na prática, elas acontecem de forma natural, e geralmente nos adaptamos a elas sem grandes dificuldades. Não perdemos tudo de fato, pois, se seguirmos o caminho do autoconhecimento, nossa transformação tende a nos conduzir para melhor, tornando-nos pessoas mais felizes e realizadas.
Já o sofrimento relacionado à velhice e à perda da juventude é algo que realmente pode surgir. Porém, se valorizarmos aquilo que é interior e alcançarmos a felicidade ou o Nirvana, essas questões tornam-se menos importantes, principalmente se acreditarmos que a vida é eterna, como o Budismo geralmente ensina.
O Budismo nos orienta a refletir sobre aquilo que nos traz insatisfação, aceitando essas realidades e desenvolvendo o desprendimento. Dessa forma, conseguimos superar muitos sofrimentos. Ao mesmo tempo, compreender que a vida é eterna e que a realidade tende a melhorar à medida que adquirimos autoconhecimento são boas notícias e verdades que ajudam a amenizar, ou até mesmo eliminar, o sofrimento relacionado às mudanças.
Não importa o que aconteça de desagradável no futuro: viva o agora e o absoluto.
Devemos nos desprender apenas daquilo que nos causa sofrimento ou que nos faz mal. Existem coisas das quais não devemos nos desprender, como a interiorização, o amor, a felicidade, a alegria, a compaixão, a sabedoria e tudo aquilo que realmente é bom e que cresce à medida que desenvolvemos o autoconhecimento.
O desapego não significa abandonar amizades ou relacionamentos. Isso não é desapego, mas frieza. Amar faz parte do caminho. O verdadeiro desprendimento consiste em fortalecer nosso interior para que, caso algum relacionamento termine, consigamos permanecer o melhor possível, sem perder o amor e a paz interior.

 

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