Por: Ryath
O que é o Numinoso?
O psicólogo Carl Jung adotou e adaptou o conceito de numinoso, criado pelo teólogo alemão Rudolf Otto.
Otto definia o numinoso como um mistério que, ao mesmo tempo, pode causar temor e fascínio.
A palavra numinoso vem do latim numen, que significa espírito ou divindade.
O numinoso é uma experiência de fascínio e temor diante do desconhecido ou do divino.
Para Jung, uma experiência religiosa fundamental acontece quando entramos em contato com o numinoso: uma força ou presença invisível, misteriosa e muito poderosa, que pode afetar profundamente a nossa consciência.
É uma experiência psicológica profunda, com um caráter sagrado e misterioso, na qual a pessoa sente que está diante de uma força ou presença maior do que ela mesma.
O Numinoso e o Autoconhecimento
Essa experiência também pode fazer parte do processo de autoconhecimento, que Jung chamava de individuação.
A individuação é o caminho pelo qual a pessoa busca integrar e desenvolver sua psique, tornando-se mais inteira.
O contato com o numinoso tira a pessoa da rotina e pode dar um sentido mais profundo à vida, levando-a a sentir uma conexão com o eterno e com aquilo que está além do tempo.
O Numinoso e o Nirvana
O teólogo alemão Rudolf Otto relaciona o Nirvana do Budismo, que é a iluminação, com experiências de santidade e ascensão presentes em outras religiões, aproximando essas experiências do conceito de numinoso.
Para Otto, o numinoso é algo que escapa completamente à linguagem e à lógica humana comum.
No Budismo, o Nirvana é descrito exatamente dessa forma: como algo inefável e indescritível.
O aspecto fascinante do numinoso é aquilo que atrai profundamente o ser humano, trazendo plenitude, paz profunda e alegria espiritual.
O Nirvana representa o ápice desse aspecto fascinans. Ele é o objetivo máximo do Budismo e é descrito como a cessação das insatisfações, chamadas de dukkha, que são muitas vezes traduzidas, de forma inadequada, apenas como sofrimento.
O Nirvana é um estado de paz inabalável, pureza e felicidade elevadas.
No Nirvana, nos sentimos integrados a tudo o que existe. É nesse estado que sentimos a plenitude. Isso é o misticismo, que também foi estudado por Jung.
A União com o Todo
No Budismo existe o conceito de uma vida que é a união de todas as vidas, e é a isso que nos sentimos integrados.
Em outras filosofias e religiões, essa ligação com o Todo é entendida como uma ligação com Deus.
Nós somos feitos com um pedaço da essência divina. Como tudo o que tem vida também participa dessa essência, podemos nos ligar ao Todo.
O Numinoso e a Psicologia
Porém, diversos psicólogos não entendem essas experiências do numinoso como uma prova do espiritual. Eles as entendem como um contato com arquétipos presentes na psique.
Muitos psicólogos são formados dentro de uma mentalidade que não considera o espiritual ou o religioso. Por isso, quando buscamos esses assuntos dentro da Psicologia, podemos encontrar facilmente autores que são contrários à ideia do espiritual, assim como também ocorre em outras áreas, como a Medicina.
A Psicologia, se não existisse esse preconceito, teria tudo para ser uma área muito relacionada ao espiritual, já que psique significa alma.
A palavra psique vem do grego psyché, termo relacionado à alma. O filósofo Sócrates entendia a alma como aquilo que somos interiormente e também afirmava que ela é eterna.
A palavra Psicologia é formada por:
Psique + logia
Psique significa alma, ou aquilo que somos interiormente.
Logia significa estudo.
Assim, Psicologia significa o estudo da psique, ou seja, o estudo da alma e daquilo que existe dentro de nós.





