O Bem Possível de se Fazer

Por: Ryath

As pessoas muitas vezes acham que precisam resolver todos os problemas e ter todas as soluções, acreditando que só assim poderão fazer um grande bem. Porém, nem sempre temos esse poder e, quando pensamos dessa forma, acabamos deixando de fazer o único bem que realmente é possível.

Vamos dar exemplos reais:

Certa vez, um campeão de artes marciais perdeu seu mestre, que estava sofrendo muito, e ficou profundamente triste. Chorou pela perda. Um amigo acreditava que ele não deveria sofrer, pois a morte havia sido um alívio para seu mestre, e imaginava que essa explicação resolveria a dor do amigo.

Na verdade, ele não conseguiu ajudá-lo. Queria eliminar completamente o sofrimento dele e, até certo ponto, foi insensível, pois acreditava que possuía a solução para o problema. Queria fazer um bem maior do que era capaz.

Nem sempre a nossa maneira de enxergar as coisas corresponde à realidade emocional do outro.

O bem que ele realmente poderia fazer era simples, mas valioso: permanecer ao lado do amigo, dizer palavras de carinho, distraí-lo um pouco, compartilhar momentos leves e, quando possível, fazê-lo sorrir.

Muitas vezes, quando alguém sofre ou está triste, não conseguimos retirar sua dor, mas podemos oferecer presença, afeto, amor, escuta e palavras boas. Isso já é um grande bem.

Existem pessoas que acreditam ter a solução para todos os problemas. Pensam que, apenas com palavras, conseguirão eliminar o sofrimento de qualquer pessoa. Isso nem sempre é verdade. Muitas vezes, essa postura nasce do orgulho e da vaidade, e acaba não produzindo nenhum bem real.

Isso pode acontecer tanto com pessoas boas quanto com pessoas más, pois o ego está presente em todos nós. O Budismo ensina que, por meio do autoconhecimento, podemos nos libertar de muitas formas de orgulho e vaidade, caminhando em direção à iluminação.

Assim, às vezes deixamos de fazer o bem possível para alimentar o ego, imaginando que podemos resolver todas as situações ou convencer todas as pessoas. Muitas acabam concordando apenas para evitar conflitos, e nenhum benefício verdadeiro acontece.

Também é comum acreditarmos que vamos mudar o mundo inteiro, enquanto desprezamos pequenos gestos por parecerem insignificantes. Porém, isso é falta de humildade e simplicidade. Não importa o tamanho do bem: o bem continua sendo bom e importante.

Tenho um amigo que sonhava em mudar o mundo. Ele procurava pessoas influentes, entrava em contato com políticos e até discutia com grupos ligados a práticas negativas, acreditando que conseguiria convencer todos a fazer o bem. Não obteve o resultado que esperava e acabou vivendo situações muito difíceis.

Enquanto isso, muitas oportunidades de fazer o bem estavam ao seu alcance: ajudar em uma igreja, em um centro espiritual, em um templo, aprender Reiki, cura prânica ou outras práticas voltadas ao auxílio das pessoas. São ações concretas e possíveis.

A proposta não é abandonar um grande bem quando ele realmente for possível. A proposta é fazer todo o bem que estiver ao nosso alcance, sem nos perdermos em ilusões de grandeza.

A realidade é mais importante do que o ego.

Nós talvez não consigamos tirar um morador de rua dessa condição, mas podemos oferecer alimento, um cobertor, um sorriso, respeito ou uma palavra de dignidade. Pequenos gestos transformam o mundo de alguém.

Meu mestre ensina a tratar todas as pessoas igualmente, sem distinção. Talvez seja justamente por isso que ele seja tão querido por tanta gente.

Humildade, simplicidade e amor ao bem nos conduzem naturalmente à filosofia de sempre fazer o bem, sem nos preocuparmos com a grandiosidade dos nossos atos.

O orgulho e a vaidade querem ser vistos. A humildade apenas serve.

O ego serve a si mesmo; o bem serve a si e aos outros.

Como ensina Jesus: “Amai o próximo como a ti mesmo.” Quando fazemos o bem ao outro, também fortalecemos o bem dentro de nós.

Cultive sempre a ideia de fazer o bem possível. É um caminho simples, bonito e profundamente transformador.

O ego é muito atraente neste mundo humano ainda não iluminado e pode facilmente seduzir as pessoas. Porém, o mais importante não é o ego, mas a pureza e o verdadeiro bem.

O bem é uma coisa maravilhosa, e o ego não serve ao bem.

O ego serve a si mesmo; o bem serve a si e aos outros. É como Jesus ensina: “Amai o próximo como a ti mesmo”, pois todos somos um pedacinho de Deus e participamos da mesma realidade divina.

Deus tirou um pedacinho de Si para criar cada um de nós, e Ele é o Todo, pois tudo foi feito com a Sua substância divina. Por isso faz todo sentido amar o próximo como a si mesmo.

É claro que o que colocamos aqui pode parecer duro em alguns momentos, mas, se essas palavras levarem as pessoas a refletirem sobre o bem e a praticá-lo mais, elas já terão cumprido um belo propósito.

 

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