Isso para Obter o Kenshô
Por: Ryath
O resultado de permanecer bastante tempo na meditação do Zen Budismo é conseguir a experiência mística, que é a percepção da Vacuidade.
Essa percepção, para o Budismo, é o Dharma, a sabedoria. É atingir a verdadeira natureza de como as coisas são, enxergando que não existem separações entre nós e os outros, pois todos estamos conectados e interligados. Inclusive, os atos de cada pessoa influenciam a vida das demais.
Para que um alimento chegue à nossa mesa, é necessário o trabalho de muitas pessoas, assim como a utilização dos recursos da natureza. Muitas vezes, consumimos produtos importados, cuja produção começa com trabalhadores rurais de outros países, passa pelas indústrias, pelos profissionais do transporte, desde caminhões até aviões, entre outros. Isso é muito comum no mundo globalizado em que vivemos.
Isso é a interligação entre os seres vivos.
A percepção da Vacuidade acontece quando vemos que somos uma vida que faz parte da vida de tudo e que essas vidas não estão desligadas umas das outras, mas fazem parte de uma mesma realidade, que é a vida de tudo o que existe.
Nas experiências de Vacuidade, não existe separação entre nós e os outros. Percebemos que tudo faz parte da mesma realidade. Apesar de continuarmos vivendo de forma individual, nossa percepção muda, e passamos a ter uma compreensão da coletividade, percebendo que tudo faz parte de um todo integrado.
Nós estamos integrados aos outros, e essa é uma experiência de expansão da consciência, na qual ela vai além de nós mesmos e abrange os outros e tudo o que existe, sendo tudo um único todo.
No misticismo taoísta ocorre a mesma experiência, embora as técnicas de meditação sejam diferentes das do Zen Budismo.
O nome Taoísmo vem de Tao, que significa tudo o que existe, e os taoístas buscam a integração com esse Todo Existente, que ocorre por meio do autoconhecimento.
Todos os métodos místicos para atingir a integração com o Todo, presentes nas mais diferentes religiões, são diferentes entre si, mas buscam a mesma finalidade.
A meditação sentada no Zen é a prática mais importante, e é fundamental treinarmos todos os dias, mesmo que sejam apenas dez minutos, pois isso traz autoconhecimento e nos prepara para que, quando tivermos a oportunidade de permanecer bastante tempo em meditação, possamos desenvolver o Kenshô, que é a experiência da Vacuidade.
À medida que o praticante vai se desenvolvendo na meditação, ele vai adquirindo o domínio do Kenshô e pode provocá-lo quando desejar. Tudo isso nos ajuda a atingir o Nirvana, além de proporcionar uma experiência muito boa e interessante.
Para o Zen Budismo, o mais importante de tudo é a meditação, e todo o treinamento budista é uma preparação para irmos cada vez mais fundo nela, desenvolvendo o Kenshô e atingindo a iluminação.
O domínio do Kenshô não é o Nirvana, mas ajuda muito a conquistá-lo.





