Por: Ryath
O nome Daimonion normalmente desperta muito medo, pois pode nos remeter à palavra cristã demônio. No entanto, segundo as interpretatações de Sócrates, que nasceu e viveu cerca de 500 anos antes do Cristianismo, o termo significa algo divino.
O grande filósofo Sócrates, que mudou o mundo com sua filosofia voltada para a interioridade, as virtudes e o autoconhecimento, afirmava escutar uma voz interior. Essa voz o alertava para dissuadi-lo ou impedi-lo de realizar determinadas ações erradas ou perigosas, atuando como um aviso benéfico.
Essa voz nunca dizia a Sócrates o que ele deveria fazer; apenas o freava ou o alertava quando estava prestes a tomar uma decisão inadequada ou prejudicial.
Para Sócrates e seu discípulo Platão, o Daimonion era algo divino: um espírito intermediário entre os Deuses e aqueles que vivem no mundo físico, o que nos leva à mediunidade.
Segundo esta visão, Sócrates era um médium com uma missão importante: transformar a história por meio do autoconhecimento e do bem das pessoas. Seu discípulo Platão deu continuidade a esse legado.
Platão quis imortalizar os ensinamentos de seu mestre, fundando a Academia.
Cerca de 500 anos antes do nascimento de Jesus, grandes personalidades encarnaram trazendo ensinamentos de autoconhecimento, iluminação e formação de religiões e filosofias, como Buda, Confúcio, Sócrates e Platão. No Ocidente, seus ensinamentos ofereceram à humanidade um profundo caminho de aprendizado sobre o autoconhecimento. Com o passar dos séculos, muitos conhecimentos se reuniram em torno desses mestres e se somaram às suas filosofias, como técnicas energéticas, práticas religiosas, rituais, crenças e outros saberes.
No julgamento de Sócrates, realizado para desmoralizá-lo e destruir sua obra, que culminou em sua sentença de morte considerada injusta por esta narrativa, uma das acusações era a de que ele introduzia “novas divindades” na cidade. Essa referência dizia respeito justamente ao Daimonion.
Platão defendeu seu mestre e eternizou essa defesa na grande obra Apologia de Sócrates.
Sócrates ensinava o bem e o autoconhecimento. Acreditava nos Deuses gregos, mas os compreendia como seres perfeitos, e não como são apresentados em muitas narrativas mitológicas, nas quais cometem atos imorais.
Para ele, as imoralidades são fruto dos defeitos espirituais.
Assim, Sócrates convidava as pessoas a cultivarem a moral, examinarem a própria vida e buscarem o aperfeiçoamento, acreditando que os Deuses já representavam esse ideal de perfeição.





