Por: Ryath
Os Evangelhos de Maria Madalena, Judas e Tomé ensinam o desprendimento.
Os Evangelhos Apócrifos, que contêm ensinamentos secretos de Jesus, ensinam que o mundo físico é inferior ao espiritual e pregam um desprendimento deste mundo.
O apego ao material não significa ser pobre, mas sim um desprendimento da identidade terrena, dos desejos e das influências que prendem os seres humanos.
Esses evangelhos nos ensinam a não nos apegarmos ao mundo material, que é passageiro.
Em contrapartida ao material, existe o espiritual, que é de uma natureza muito melhor.
É do espiritual que vêm Deus, o divino em nós, a espiritualidade, o amor e os bons sentimentos, coisas às quais é bom nos ligarmos.
O desprendimento é essencial para encontrarmos o Reino de Deus, que não é um mundo para onde vamos quando morremos, mas um estado interior de plenitude e muita felicidade.
De acordo com o Evangelho de Maria Madalena, devemos nos libertar das paixões, da ignorância e do ego.
Temos que tomar um pouco de cuidado com essas palavras para não praticá-las de modo errado, pois é muito fácil nos confundirmos. Por isso, o mais importante é nos engajarmos no autoconhecimento e buscarmos ter uma vida feliz.
O desprendimento não é uma condição exterior, mas interior.
Desprendimento é não sofrermos com perdas mundanas, mas devemos tomar cuidado com a frieza, que é o oposto do espiritual e tem muito a ver com o egoísmo.
Pessoas egoístas normalmente são frias, e queremos extirpar o ego e o egoísmo para atingirmos a real felicidade.
Aqui no Ocidente, o Cristianismo, nas obras apócrifas atribuídas a Jesus, e a obra de Platão ensinam o desprendimento, algo mais comum em religiões orientais, como o Budismo, o Hinduísmo e o Taoísmo, assim como falam em autoconhecimento, expansão da consciência e interiorização, assuntos que têm tudo a ver com os evangelhos apócrifos.
Muitos religiosos de crenças orientais se ligam bastante ao misticismo cristão, que fala da expansão da consciência. Também são muito indicados os Evangelhos de Maria, Judas, Filipe e Tomé, pois muitos irão gostar deles. Temos uma seção aqui no site sobre esses evangelhos.
Inclusive, um dos termos para o Reino de Deus é “vida eterna”, que significa a iluminação, assim como o Taoísmo chama a iluminação de “imortalidade”, algo muito semelhante.
A imortalidade, ou a vida eterna, não é viver para sempre no mundo da matéria, do qual vamos nos desprender, mas sim viver em um estado de plenitude e felicidade, um mundo de luz e iluminação.
Nossa alma é naturalmente eterna. Existe um Deus interno, como ensinam os evangelhos de Judas, Maria, Tomé e Filipe, e Deus é eterno. Porém, alcançar o que se chama de vida eterna é estar em comunhão com o universo, símbolo da eternidade.
A mística é representada pelo universo, e a iluminação é mística, pois é a expansão da consciência, tanto do emocional, aumentando os bons sentimentos, quanto do mental, ampliando a compreensão além de nós mesmos, enxergando o todo e nos sentindo integrados a ele. É isso que o misticismo cristão busca: uma integração com Deus, que está em tudo e é tudo.
Essa é a verdadeira santidade.




