Por: Ryath
Quando Ryan Hammons tinha 4 anos, ele começou a dirigir filmes imaginários. Gritos de “Ação!” frequentemente ecoavam de seu quarto.
Mas a brincadeira começou a preocupar os pais de Ryan quando ele passou a acordar no meio da noite, gritando e agarrando o peito, dizendo que havia sonhado que seu coração explodira enquanto estava em Hollywood. Sua mãe, Cyndi, perguntou ao médico sobre esses episódios. “Terror noturno”, disse o médico. “Ele vai superar isso.”
Então, uma noite, enquanto Cyndi colocava Ryan na cama, ele de repente segurou a mão dela.
“Mamãe”, ele disse, “acho que eu já fui outra pessoa.”
Ele disse que se lembrava de uma grande casa branca com piscina. Era em Hollywood, a muitos quilômetros de sua casa em Oklahoma. Disse que tinha três filhos, mas não conseguia lembrar os nomes deles. Começou a chorar, perguntando repetidamente por que não conseguia lembrar seus nomes.
“Eu realmente não sabia o que fazer”, disse Cyndi. “Eu estava mais em choque do que qualquer outra coisa. Ele estava muito insistente. Depois daquela noite, continuou falando sobre isso e ficava chateado por não lembrar os nomes. Comecei a pesquisar sobre reencarnação na internet. Até peguei alguns livros sobre Hollywood na biblioteca, pensando que as fotos poderiam ajudá-lo. Não contei a ninguém por meses.”
Um dia, enquanto Ryan e Cyndi folheavam um desses livros, Ryan parou em uma foto em preto e branco de um filme dos anos 1930, Night After Night. Dois homens no centro da imagem estavam frente a frente, cercados por outros quatro. Cyndi não reconheceu nenhum dos rostos, mas Ryan apontou para um dos homens.
“Ei, mamãe”, ele disse, “aquele é o George. Nós fizemos um filme juntos.” Em seguida, apontou rapidamente para outro homem, à direita, de sobretudo e expressão fechada: “Aquele sou eu. Eu me encontrei!”
As alegações de Ryan, embora raras, não são únicas entre mais de 2.500 casos arquivados por Jim B. Tucker, professor associado de psiquiatria na Divisão de Estudos Perceptuais do Centro Médico da Universidade da Virgínia.
Há quase 15 anos, Tucker investiga relatos de crianças, geralmente entre 2 e 6 anos, que afirmam ter vivido vidas passadas. Em alguns casos, elas fornecem detalhes suficientes para que se possa rastrear essas histórias até pessoas reais — raramente famosas e normalmente desconhecidas pelas famílias — que morreram anos antes.
Tucker, um dos poucos cientistas no mundo a estudar esse fenômeno, afirma que a força dos casos varia. Alguns podem ser facilmente descartados, por exemplo, quando declarações inocentes de uma criança ocorrem em famílias emocionalmente fragilizadas pela perda de um ente querido.
Mas, em vários casos, como o de Ryan, Tucker afirma que a explicação científica mais direta — embora surpreendente — é que a criança, de alguma forma, relembra memórias de outra vida.
“Eu entendo o salto necessário para concluir que existe algo além do que podemos ver e tocar”, diz Tucker, que foi diretor médico da Clínica de Psiquiatria Infantil e Familiar da universidade por quase uma década. “Mas existem evidências aqui que precisam ser consideradas e, quando analisamos cuidadosamente esses casos, algum tipo de continuidade de memória faz bastante sentido.”
Em seu livro Return to Life, Tucker detalha alguns dos casos americanos mais impressionantes que pesquisou e apresenta o argumento de que descobertas da mecânica quântica — a ciência que estuda o comportamento das menores partículas da natureza — podem fornecer pistas para a existência da reencarnação.
“A física quântica indica que nosso mundo físico pode surgir da consciência”, diz Tucker. “Essa não é apenas uma visão minha, mas também de outros físicos.”
Pouca controvérsia
Embora seu trabalho pudesse gerar grandes debates na comunidade científica, a pesquisa de Tucker — baseada, em parte, nos casos reunidos por seu predecessor, Ian Stevenson (falecido em 2007) — tem causado relativamente pouca controvérsia.
Michael Levin, diretor do Centro de Biologia Regenerativa e do Desenvolvimento da Universidade Tufts, escreveu em uma análise acadêmica do primeiro livro de Tucker que ele apresenta “uma pesquisa de primeira qualidade”.
Tucker, cujo trabalho é financiado integralmente por um fundo, começou a estudar reencarnação no final dos anos 1990, após ler um artigo no Charlottesville Daily Progress sobre o trabalho de Stevenson.
“Eu estava curioso sobre a ideia de vida após a morte e se o método científico poderia ser usado para estudá-la”, afirma.
Ele começou como voluntário no departamento de Stevenson e, após alguns anos, tornou-se pesquisador permanente, supervisionando, entre outras tarefas, a digitalização dos arquivos de casos coletados ao longo de décadas.
Esse trabalho levou anos — os registros manuscritos remontavam a 1961 —, mas, segundo Tucker, tem gerado descobertas intrigantes.
Cerca de 70% das crianças relatam mortes violentas ou inesperadas em suas supostas vidas passadas. Homens representam quase três quartos desses casos — proporção semelhante à de mortes não naturais na população geral.
Uma em cada cinco crianças afirma lembrar do período entre a morte e o nascimento, embora não haja um padrão consistente nesses relatos.
Nos casos em que a história pôde ser verificada, o intervalo médio entre a morte da pessoa anterior e o nascimento da criança é de cerca de 16 meses.
Pesquisas adicionais indicam que essas crianças, em geral, apresentam QI acima da média e não demonstram transtornos mentais ou emocionais fora do padrão esperado.
Quase 20% apresentam marcas de nascença ou deformidades que correspondem a ferimentos da pessoa cuja vida relatam.
A maioria dessas lembranças desaparece por volta dos 6 anos de idade, coincidindo com uma fase importante do desenvolvimento cerebral.
Apesar da natureza extraordinária dos relatos, Tucker afirma que essas crianças não apresentam características especiais além disso: “São, em sua maioria, crianças típicas”.
Ele acredita que o número relativamente pequeno de casos registrados — especialmente nos Estados Unidos — se deve ao fato de muitos pais ignorarem ou interpretarem erroneamente os relatos. “Se a criança percebe que não está sendo ouvida, ela para de falar”, explica.
Consciência e física quântica
Como a consciência — ou as memórias — poderia ser transferida entre vidas ainda é um mistério. Tucker sugere que pistas podem estar na física quântica.
Sabe-se que partículas como elétrons e prótons apresentam comportamentos que parecem depender da observação.
Um exemplo clássico é o experimento da dupla fenda: quando não observada, a luz se comporta como onda e passa por ambas as fendas; quando observada, comporta-se como partícula e passa por apenas uma.
Há grande debate sobre a interpretação desse fenômeno. Tucker, assim como Max Planck, acredita que ele sugere que o mundo físico pode ser influenciado — ou até derivado — da consciência.
Se isso for verdade, então a consciência não dependeria exclusivamente do cérebro para existir — e poderia, em teoria, continuar após a morte.
“É possível que, de alguma forma, a consciência possa se expressar em uma nova vida”, afirma.
No entanto, críticos apontam que essas interpretações ainda não são cientificamente comprováveis.
A vida passada de Ryan
Cyndi Hammons não pensava em nada disso quando seu filho apontou para uma foto antiga e disse que era ele. Ela apenas queria descobrir quem era aquele homem.
O livro não trazia os nomes dos atores, mas Cyndi confirmou que o homem chamado de “George” era George Raft, ator conhecido nos anos 1930 e 40. Já o outro homem permaneceu desconhecido por um tempo.
Após contato com Tucker, a imagem foi analisada por um arquivista, que identificou o homem como Martin Martyn, um figurante não creditado.
Em testes posteriores, Ryan reconheceu corretamente a esposa de Martyn em uma foto.
Investigações revelaram diversas correspondências entre as memórias de Ryan e a vida de Martyn: carreira na dança, trabalho em agência de talentos, endereço e até conexões pessoais.
O encontro entre Ryan e a filha de Martyn foi breve e emocionalmente contido. Depois disso, Ryan passou a falar cada vez menos sobre Hollywood.
Segundo Tucker, isso é comum: ao “resolver” a ligação com o passado, a criança passa a se concentrar mais na vida presente.
“Acho que elas percebem que ninguém está esperando por elas no passado”, diz. “E, aos poucos, direcionam sua atenção para esta vida — como deve ser.”
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