Primeira Nobre Verdade

Por: Ryath
Quando o Buda se iluminou e voltou para a comunidade de ascetas hindus da qual havia sido expulso, por discordar de que o caminho que eles praticavam levava à iluminação, ele fez um discurso expondo as Quatro Nobres Verdades.
A primeira verdade que o Buda proferiu é que a vida é Dukkha.
Dukkha é uma palavra frequentemente mal compreendida, pois foi traduzida como sofrimento, mas seu significado não se limita a isso.
A palavra Dukkha tem relação com a ideia de eixo, como o eixo de uma roda.
Quando um eixo não está em seu devido lugar, que é o centro da roda, ela não gira em harmonia. Fica desproporcional, sobe e desce, provoca solavancos e ainda pode ser danificada.
A vida é cíclica. Ela possui insatisfações e é marcada por momentos de subida e descida, felicidade e sofrimento, sucesso e fracasso, erros e acertos, amor e abandono.
Isso significa que a vida não é apenas sofrimento, mas também felicidade, alegria e muitas outras experiências.
Por existirem acontecimentos considerados ruins, a vida é insatisfatória, pois cada pessoa deseja para si aquilo que considera bom e não deseja o mal.
Diferentemente do que desejamos, vivenciamos tanto o que consideramos ruim quanto o que consideramos bom.
Cada ser humano busca aquilo que acredita ser o melhor para si.
Como a vida é cíclica, ela não pode proporcionar felicidade permanente.
A vida não vem com um manual de instruções, mas o Budismo e diversas outras religiões procuram oferecer orientações para essa jornada. Elas apresentam metas espirituais que recebem nomes como santidade, Nirvana, iluminação, ascensão ou despertar, entre outros. Nem todas as tradições, porém, possuem esse tipo de objetivo. A tradição evangélica, por exemplo, adotou uma compreensão diferente sobre essa busca.
Esse "manual de instruções" da vida pode ser encontrado por meio de orientações espirituais, da Psicologia ou da busca pelo autoconhecimento. No entanto, muitas pessoas não sabem disso.
Pela falta de conhecimento sobre o que realmente lhes faz bem, muitas pessoas não percebem que esse "manual de instruções" está nesses caminhos mencionados acima. Assim, acabam se sentindo perdidas e procuram a felicidade apenas em experiências agradáveis, como passear, assistir à televisão, ouvir música ou viver momentos de lazer e diversão. Essas experiências proporcionam felicidade e são importantes, não havendo nada de errado em desfrutá-las. Porém, costumam gerar uma satisfação passageira. Além delas, é possível buscar uma felicidade mais duradoura, tema que o Budismo desenvolve nas Nobres Verdades seguintes.
Como ensina o Reverendo Genshō, a maneira de alcançarmos a felicidade é encontrar estabilidade dentro de nós mesmos. Isso significa observar os altos e baixos da vida com naturalidade, compreendendo que a vida é um fluxo e que seus fenômenos incluem tanto experiências boas quanto difíceis. Quando desenvolvemos compreensão e aceitação diante de todas as coisas, uma felicidade natural pode se estabelecer.

 

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