Por: Ryath
(Inspirado por Caboclo Sete Pedreiras)
Nesta quarta-feira, no centro de Umbanda do qual faço parte, fomos atendidos pelos Caboclos de Xangô.
Os caboclos são espíritos que trazem a cura mental, e Xangô é o Orixá da Justiça.
Nós, seres humanos, tendemos a enxergar muito mais o negativo do que o positivo. Vemos muito mais nossos defeitos do que nossas qualidades. Isso ficou evidente para nós que estávamos no centro nessa quarta-feira (04/06/2025).
Dessa forma, o trabalho voltou-se para o equilíbrio e para as injustiças que cometíamos conosco mesmos em nossa própria mente: julgando-nos, condenando-nos e pesando de maneira errada e negativa em nossas próprias avaliações internas. Assim, a mão da Justiça veio intervir.
Xangô é um Orixá que abrasa a razão e o julgamento correto, algo que não estava acontecendo naquele momento. Geralmente, usamos o termo “julgar” para avaliações feitas sem dados, sem critérios justos ou para observações maldosas sobre as pessoas, focando apenas no lado negativo — o que é diferente da verdadeira justiça.
A justiça vem para trazer a avaliação correta, o julgamento equilibrado de Xangô, pois ele é a própria Justiça Divina. É Xangô quem rege o raciocínio, ajudando-nos a avaliar as situações da forma mais justa possível. Quando há desequilíbrio nesse julgamento, a avaliação se torna distorcida e pesa para um lado, como ocorre na desvalorização de nós mesmos.
Ah, meu amigo Xangô, eu não conhecia bem a sua atuação. Não sabia do alcance do que você é capaz de fazer, mas pude conhecer um pouco mais nessa quarta-feira. Obrigado por trazer equilíbrio ao nosso racional, especialmente nas ações de desvalorização pessoal, na auto-obsessão, na baixa autoestima e na exigência excessiva, sem o reconhecimento do que fazemos de bom.
Muitas vezes, somos exigentes demais conosco e não conseguimos enxergar nossas próprias virtudes. Precisamos, todos nós, sentir-nos bem conosco mesmos, e falhamos nisso de forma injusta.
Obrigado por trazer justiça onde ela estava falhando. Por meio da ação dos caboclos e de suas curas mentais, o trabalho foi intenso, mas com resultados muito positivos. Não imaginava que um trabalho tão específico, com uma força tão direcionada, fosse tão necessário para todos.
Espero que possamos reconhecer mais o que fazemos de bom, sermos mais justos e, por que não, mais doces conosco mesmos. Às vezes, com tantos julgamentos duros e pouca valorização interna, o que realmente precisamos é de doçura.
Mas o que você pode fazer para ser mais justo e se reconhecer mais? Use o seu racional, o dom que Xangô lhe deu. Assim como eu julguei sem conhecer a especificidade de um trabalho tão necessário e sem compreender plenamente as ações de Xangô.
Xangô é justo: dá a quem merece e cobra de quem deve. Muitas vezes, é preciso pagar o que se deve para depois receber; essa é a purificação. O reino de Xangô é o fogo, consumidor das impurezas.
Ah, Umbanda, quanto tens a nos revelar por meio da linguagem dos Orixás!
Fiquem com luz.
Seres de Luz.





