Budismo Esotérico, Umbanda e Universalismo
Por: Ryath
Existe um tipo de ser espiritual que trabalha na defesa, na proteção e na guarda, sendo extremamente benéfico.
Na Umbanda, essas entidades espirituais são chamadas de Exus. Tanto nessa religião afro-brasileira quanto no Esoterismo, também são denominadas Guardiões.
Esses seres não são exclusivos de uma única religião, mas atuam em diversas tradições nas quais podem ajudar e fazer o bem. Assim, uma entidade guardiã pode manifestar-se em um centro de Umbanda, em uma igreja católica ou evangélica, em templos budistas, taoístas, hinduístas, entre outros.
Essas entidades também protegem outros trabalhadores espirituais enquanto realizam tarefas em benefício do próximo, especialmente quando há riscos de ataques ou interferências negativas.
Por isso, é necessário que existam muitos desses trabalhadores espirituais.
No Budismo Esotérico, esses seres são chamados de Dharmapalas, ou seja, Protetores do Dharma.
Dharma significa sabedoria ou ensinamentos, seja no Budismo, no Hinduísmo ou no Taoísmo.
Os Dharmapalas são associados ao planeta Marte, que simboliza ação, proteção, limpeza e outras qualidades que esses seres manifestam naturalmente.
Segundo algumas escolas esotéricas, os raios do Sol que atingem Marte e se refletem para outros planetas carregam as características espirituais dessa energia divina, irradiando-se em diversas direções, inclusive para a Terra.
Essa é a explicação esotérica para esses raios e emanações divinas.
Na Umbanda, a energia de proteção e ação vem do Orixá Ogum e também de Iansã.
Mas é principalmente na irradiação de Ogum, Orixá da Lei Divina, que os Guardiões trabalham, cumprindo funções semelhantes às dos policiais no plano físico.
Os policiais trabalham para a lei.
Os Guardiões, Dharmapalas ou Exus seguem a Lei Divina, que existe para o bem, a proteção e a purificação dos seres vivos, conduzindo-os à evolução.
O planeta de Ogum é justamente Marte, que carrega suas energias.
Porém, Marte não é o único planeta do universo — ou dos universos — que vibra com essa força de proteção, Lei e ação. Existem infinitos mundos com essa energia, pois a criação divina é eterna e infinita.
Deus é eterno e infinito.
Os Dharmapalas evoluem espiritualmente por meio do trabalho de caridade, realizando guarda, proteção, limpeza, recondução ao caminho da evolução e outras funções.
No Budismo Esotérico, os Dharmapalas protegem o Budismo e seus praticantes, mantendo-os no caminho do autoconhecimento e removendo obstáculos.
Eles também são chamados de divindades iradas, porque assumem formas monstruosas para assustar espíritos malfeitores, além de se protegerem contra energias negativas muito intensas nos locais espiritualmente densos onde precisam atuar.
Nesses lugares, realizam resgates de seres que ali permanecem ou protegem outros espíritos e pessoas.
Assim como os Exus na Umbanda, os Dharmapalas — que, segundo essa visão, são o mesmo tipo de entidade — assumem formas aterrorizantes ou monstruosas.
Quando vemos pinturas desses seres com aparência de caveiras, monstros ou demônios, isso não significa que sejam entidades más. Essas formas têm a finalidade de proteção, e muitas pessoas confundem com negatividade aquilo que, na verdade, representa coragem e desprendimento para ajudar em lugares hostis.
Os Exus ou Dharmapalas escolheram se arriscar, enfrentar situações difíceis e batalhas espirituais para ajudar outros seres, em um ato de grande elevação e abnegação.
Existem práticas espirituais com os Dharmapalas no Budismo Esotérico, realizadas por meio de meditações ritualísticas com as imagens dessas divindades iradas em formas monstruosas. Nessas práticas, o praticante visualiza a si mesmo como a própria deidade, purificando suas tendências negativas e aproximando-se da iluminação.
Os Dharmapalas das mandalas são seres iluminados, chamados de divindades no Budismo Esotérico.
Na Umbanda, correspondem aos Exus ou Guardiões de Lei, chefes de falanges de espíritos que trabalham com proteção, ação, guarda, limpeza espiritual e limpeza energética.
O conceito de divindade no Budismo e na Umbanda difere na linguagem, mas não na essência. Assim, os Exus de Lei são considerados iluminados, mas não recebem o nome de divindades.
Na Umbanda, o termo divindade é reservado aos Orixás, criados por Deus para irradiar Sua energia infinita por toda a criação.
Quando nos visualizamos como um Buda, estamos trabalhando nossa autoimagem como seres iluminados.
Nas práticas com os Dharmapalas, visualizamo-nos pisoteando e transformando nossas próprias raivas e negatividades, liberando e purificando essas energias.
Segundo o Budismo Esotérico, os Dharmapalas são regidos por oito grandes guardiões: Begtse (Atma Prana), Mahakala, Palden Lhamo, Hayagriva, Kubera (Vaisravana), Tshangs Pa, Yama e Yamantaka.
Cada uma dessas oito deidades governa uma área diferente de proteção.





