Santo Agostinho - o Autoconhecimento Leva a Deus

Por: Ryath
Santo Agostinho nos ensina que Deus está dentro de nós mesmos, e ir ao encontro d’Ele é ir ao encontro do autoconhecimento.
Agostinho ensina que, assim como Deus, a verdade está dentro de nós, e ir ao encontro dessa verdade é ir ao encontro do conhecimento e da sabedoria. Nesse processo, aprendemos a verdade. Isso se aproxima do que doutrinas orientais, como o Budismo, a Yoga, o Hinduísmo e o Taoismo, ensinam: que vivemos em meio a ilusões e que o despertar dessas ilusões ocorre através da iluminação, que seria um grande autoconhecimento.
Outros mestres do autoconhecimento, como Sócrates, Platão e o místico Plotino, influenciaram muito Agostinho. Ele também possui um pensamento místico, no sentido da expansão da união do homem com Deus, com o absoluto, que estaria justamente dentro de nós e seria alcançado através do conhecimento de si.
Assim, ao atingirmos a verdade interior, nos reunimos com Deus, com a verdade e com a sabedoria.
Para Agostinho, a alma teria três funções: perceber a si mesma, perceber os outros e elevar-se a Deus. Porém, o ponto central seria o autoconhecimento.
O autoconhecimento, para Agostinho, acontece quando a pessoa investiga seus desejos, memórias, emoções, conflitos e a própria consciência.
A mente, ao investigar essas questões, chegaria a uma verdade eterna, e essa verdade seria Deus, pois a alma seria um espelho imperfeito que reflete Deus.
Podemos perceber isso também pelo ensinamento bíblico de que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Assim, ao nos conhecermos, encontraríamos algo d’Ele em nós.
Muitas personalidades famosas ligadas ao autoconhecimento associaram esse processo à busca de Deus. Alguns exemplos:
“Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.” — Sócrates
“Através do autoconhecimento você começa a descobrir o que é Deus, o que é a verdade...” — Jiddu Krishnamurti
“Noverim me, noverim Te” (“Que eu me conheça, que eu Te conheça”). — Santo Agostinho
“Consciência de Deus é autoconsciência; conhecimento de Deus é autoconhecimento.” — Ludwig Feuerbach
“A soma da sabedoria que se considera verdadeira e sólida consiste em duas partes: o conhecimento de Deus e o de nós mesmos.” — João Calvino
“Eu procurei por Deus e encontrei apenas a mim mesmo. Eu procurei por mim mesmo e encontrei apenas a Deus.” — Rumi
“Deus nos conhece por dentro de nós mesmos, não como objetos, não como estranhos, não como íntimos, mas como nosso próprio ser.” — Thomas Merton
“Deus, sempre o mesmo, deixa-me conhecer a mim mesmo, deixa-me conhecer a Ti!” — Anthony de Mello
Assim como esses, existem muitos outros exemplos.
Santo Agostinho ensinava que o homem precisa se desviar das distrações do mundo externo, físico e material, voltando-se para dentro de si.
Para Agostinho, a alma também é dotada de amor, inteligência e conhecimento, refletindo a estrutura divina.
Santo Agostinho possuía uma ideia semelhante à de René Descartes, muito antes dele: mesmo que eu me engane, ainda assim tenho certeza de que existo e de que percebo minha própria existência.
Descartes afirmava que, por mais que o mundo pudesse ser uma ilusão, o fato de pensarmos e existirmos comprovaria que pensamento e existência são reais.
Agostinho ajudava no autoconhecimento das pessoas aconselhando, em seu método, que ao final de cada dia a pessoa examinasse sinceramente suas ações e intenções, sem desculpas e sem querer enganar a si mesma.
Na obra Confissões, Santo Agostinho investiga seus pecados, infância, medos, paixões e busca espiritual. Muitos desses temas são trabalhados hoje em terapias de autoconhecimento e também em religiões.
Podemos notar duas coisas: Agostinho praticava aquilo que ensinava, buscando o autoconhecimento; e não se escondia atrás do ego, tentando aparentar superioridade espiritual. Pelo contrário, expunha seus pecados, defeitos, paixões e conflitos.
Ao passar por essa investigação interior, o filósofo e santo descobriu que Deus sempre esteve dentro dele. Então afirmou:
“Tu estavas dentro de mim, mas eu Te procurava fora.”
O processo de autoconhecimento, para que a pessoa descubra a interioridade de Deus dentro de si mesma, ocorre da seguinte forma: a pessoa se conhece e chega à conclusão de que tudo o que é material é transitório, algo também muito presente no Budismo, onde Buda teria atingido a iluminação e percebido essa impermanência.
Depois disso, a pessoa sente sede de algo eterno, como uma felicidade duradoura, pois não se conforma com a finitude.
Diferentemente do Budismo, que ensina a aceitar a impermanência das coisas, Agostinho ensina a ultrapassar os pensamentos comuns, pois assim a alma encontraria uma luz espiritual superior.
Na experiência mística, a alma encontra Deus, vivendo uma experiência de união, contemplação e proximidade divina.
São experiências de êxtase e plenitude muito intensas, vividas tanto por Agostinho quanto por Plotino.
Resumindo:
“Ao mergulhar na própria alma, o indivíduo percebe que ela é mutável e finita. Essa percepção impulsiona a mente a procurar algo superior, fixando-se no que é eterno (Deus), que reside acima da própria razão humana.”
A espiritualidade — ou a falta dela — manifesta-se tanto no homem interior quanto no exterior.
O homem exterior está ligado aos sentidos e ao mundo material. Quanto mais a pessoa vive apenas no exterior, em distrações, ego, desejos materiais e orgulho, mais distante fica de Deus.
Já o homem interior está ligado à alma e à verdade divina.
O autoconhecimento revela a propensão ao pecado, mas também a necessidade da misericórdia divina.
O processo “Conhece-te, aceita-te e supera-te” leva o indivíduo a superar o egoísmo para viver segundo o amor a Deus.

 

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