Por: Ryath
Dukkha significa a insatisfação que temos na vida. É o fato de não nos conformarmos com os altos e baixos que ocorrem, ora acontecendo coisas boas, ora acontecendo coisas difíceis.
A Segunda Nobre Verdade ensina qual é a causa do sofrimento e da insatisfação, que é tanha, termo que se refere ao apego às coisas.
Porém, o apego é muito mal compreendido. Muitas pessoas acreditam que ele significa não nos afeiçoarmos às pessoas, o que seria frieza, justamente o contrário do amor, da compaixão, da bondade, do cuidado e do desejo de fazer o bem.
Apego não é amor nem afeto; são coisas diferentes.
É indispensável que amemos as pessoas para sermos felizes. O caminho da luz é esse.
Não nos importarmos com as pessoas é frieza e desconsideração. Faz parte da vida sofrer quando perdemos alguém que amamos e também quando uma pessoa querida deseja seguir outro caminho. Nesses momentos, o amor nos leva a abrir mão da pessoa quando isso é necessário para sua felicidade, pois nos importamos tanto com ela que desejamos o seu bem.
O desprendimento, porém, traz a sabedoria de saber sofrer. E, quando sabemos sofrer, sofremos muito menos.
Por isso, a tradução da palavra tanha não corresponde exatamente a apego, mas à ideia de uma espécie de teimosia, de um agarramento, de um vínculo criado com as coisas, do qual não conseguimos nos desprender.
Quando, na verdade, amar também é libertar a pessoa amada, quando isso é necessário, ainda que essa atitude possa causar sofrimento.
Existem duas situações que podem exemplificar o desprendimento e o apego.
Nos Estados Unidos, é comum que os filhos saiam da casa dos pais para estudar em uma faculdade, muitas vezes distante de sua cidade de origem.
Uma mãe apegada pode tentar impedir que o filho vá para a faculdade que deseja, apenas para que ele permaneça por perto. Assim, ela o prende e acaba prejudicando o seu futuro.
Já uma mãe desapegada sofre com a partida do filho, mas abre mão de sua companhia para que ele tenha um bom futuro. Ao mesmo tempo, alegra-se por vê-lo seguindo um caminho que considera bom para ele.
O Reverendo Genshō ensina, de forma brilhante, que não é o amor que causa sofrimento, mas o agarramento, isto é, a tentativa de impedir que o outro faça aquilo que é melhor para si por motivos ligados ao ego.
O agarramento é o desejo de que tudo seja nosso, permaneça sempre conosco e possa ser possuído. Por isso, a pessoa não consegue abrir mão das coisas, dando origem ao ciúme, à inconformidade e ao sofrimento.





