Por: Ryath
No Budismo e na Umbanda existe o culto e a valorização da simplicidade e da humildade interior, não no sentido de pobreza exterior, mas no sentido de não sermos dominados pelo orgulho e pela vaidade. Assim, essas duas crenças possuem abertura para a comparação e para a aceitação de outras religiões.
Comparação e superioridade de crença são formas de vaidade e orgulho.
Existem muitos pontos em comum entre a Umbanda e o Budismo, e pode haver muita aceitação mútua entre as duas. Isso ocorre, inclusive, na Linha do Oriente da Umbanda, onde se manifestam espíritos orientais, como budistas e hindus, por exemplo. A Umbanda também possui influência do Hinduísmo e do Budismo, além de outras crenças.
Tanto o Budismo como a Umbanda dão ênfase ao crescimento interior. Isso é dito de forma mais explícita na religião de Buda, mas, em todas as consultas com as entidades umbandistas, o objetivo é a evolução espiritual.
Tudo o que puder contribuir para o crescimento espiritual dos seres é sempre muito bom.
Ambas acreditam que temos muitas vidas, por meio das reencarnações, assim como em outras dimensões e em um progresso espiritual contínuo.
O que o Budismo chama de Nirvana e o que a Umbanda chama de Ascensão ou Santidade é a mesma coisa: um nível espiritual de elevação alcançado por aquele que venceu seus desafios pessoais de autoconhecimento humano e, assim, tornou-se sábio, Buda ou mentor que ajuda a humanidade.
Na Umbanda, esses espíritos de mentores se manifestam ajudando por meio da mediunidade. No Budismo Esotérico ou Tibetano ocorre algo similar, onde espíritos incorporam em médiuns para transmitir informações e ajudar.
Um dos tipos de espíritos que se manifestam na Umbanda são os Guardiões, que também são conhecidos como Exus. Eles são espíritos protetores, verdadeiros guardas espirituais. Na tradição budista, espíritos assim são chamados de Dharmapalas, ou protetores do Dharma.
No Budismo, os Dharmapalas também protegem o praticante daquilo que pode prejudicar sua prática, ajudando-o no caminho da iluminação.
Na Umbanda, os Guardiões protegem as pessoas para que elas possam evoluir. Eles também resgatam espíritos negativos, trazendo-os para o lado do bem, o que culmina com os ensinamentos budistas de compaixão e amor.
Tanto o Budismo como a Umbanda têm ideias de amor e caridade, de prática e de cultivo do bem interior.
A Umbanda sincretiza com o Cristianismo por meio dos santos católicos, mas também poderia fazer isso com os Budas do Budismo, que também são santos.
A energia da fé é cultuada por meio das imagens de Buda e Oxalá; a do amor, por meio de Kuan Yin e Oxum; e a da Lei, por meio de Dharma, Dorje Shugden e Ogum, entre outros.
A fé é a base da religião. Assim, os formadores de crenças são associados à energia da Fé, da mesma forma que Jesus é associado a Oxalá. Isso pode ser mal compreendido pelos praticantes do Zen Budista, cujo ensinamento orienta a não apenas acreditar, mas praticar e ver por si mesmo. Porém, isso não quer dizer que a energia da crença, assim como todas as energias positivas, não precise ser trazida.
Para o Budismo Esotérico, assim como para a Umbanda, as divindades são forças vivas da natureza ou da realidade. Assim, o amor, a fé, o conhecimento, a evolução, a geração, a Lei, a Justiça e outras forças fazem parte daquilo que existe.
As divindades são chamadas de Budas no Budismo e, na Umbanda, de Orixás.
Há registros de sincretismo cultural em que a Umbanda se adaptou no exterior, como no Japão, misturando elementos como altares com divindades locais, de origem xintoísta, rosários budistas e figuras de monges ou samurais incorporados em rituais.
O diálogo inter-religioso, assim como a aceitação mútua entre as crenças, é importante. Mostrar que elas possuem muitas semelhanças ajuda muito nesse processo.
O Budismo e a Umbanda são caminhos, assim como muitos outros, com uma leitura da realidade, uma linguagem, símbolos e representações que nos dão suporte para a vida e nos ajudam a nos integrar com Tudo o que existe, que é a iluminação.
Fiquem com luz.
Seres de Luz





