Por: Ryath
A gente pensa, geralmente, que grandes iluminados, aqueles que trouxeram grandes verdades espirituais, são totalmente detentores da verdade espiritual, dessas verdades que nós também acreditamos serem verdadeiras, como o Misticismo ou o Esoterismo. E nos esquecemos de que esses grandes luminares tinham suas crenças. Por exemplo, Jesus era judeu, Madre Teresa de Calcutá era católica, Gandhi era hinduísta, Chico Xavier era espírita etc.
Todas as crenças têm verdades, e existem manobras e manipulações nelas. Mas Sócrates, a quem somos doutrinados a não acreditar que tenha existido em um contexto de crença em divindades, acreditava nos Deuses, coisa que é estudada em círculos esotéricos e umbandistas, diferente do Judaísmo e do Cristianismo, que condenam essa crença.
Porém, o que se chama de Deuses, longe das mitologias, é o mesmo que o Cristianismo e o Judaísmo chamam de anjos. O que muda é a linguagem religiosa, mas não a verdade que cada um cultua.
Na época de Sócrates, médiuns incorporavam como Oráculos e davam consultas, tanto para suas vidas quanto para seus trabalhos, sendo auxiliados. Naquela época, não existia o noticiário como existe hoje, então os reis se consultavam para saber se seus reinos seriam atacados, para serem aconselhados sobre como lidar com problemas etc.
Querefonte, um amigo de Sócrates, perguntou ao Oráculo de Delfos se existia alguém mais sábio do que Sócrates. A resposta foi negativa: não havia ninguém mais sábio. Logo, Sócrates, que achava que nada sabia, tentou entender o que a divindade havia tentado lhe dizer.
Sócrates, então, foi conversar com pessoas consideradas muito sábias, como políticos, filósofos e artesãos. Percebeu, então, muito orgulho e vaidade nelas, pois achavam que sabiam tudo, mas não sabiam nada importante.
Sócrates concluiu que era mais sábio apenas por um motivo: ele sabia que não sabia de nada, enquanto os outros eram ignorantes e não sabiam disso.
Sócrates passou a acreditar que sua missão de questionar havia sido dada pelo Deus Apolo.
Apolo é, longe das mitologias, o Deus da fé. É Oxalá, Rá, Brahma e muitos outros em diferentes culturas, que têm mitologias diferentes, mas regem a mesma força: a fé.
É bonito Sócrates ter uma fé, guiar-se por ela e, disso, fazer nascer toda a sua missão, que o fez contribuir com o pensamento Ocidental. Segundo o Espiritismo, isso foi também um preparo para a vinda de Jesus.
Sócrates achava que fazer perguntas e, com isso, fazer as pessoas conhecerem a si mesmas, era a melhor forma de servir ao Deus Apolo.
No Espiritismo, Sócrates, assim como Platão, faz parte do curso de autoconhecimento.
No autoconhecimento, Sócrates trabalhava a descoberta da verdade, e ele tinha dois métodos: a Maiêutica e a Ironia.
Na Ironia, Sócrates fazia perguntas ao interlocutor, como se ele não soubesse de nada. O objetivo era desestruturar certezas superficiais e fazer a pessoa perceber que aquilo que achava que sabia não passava de opinião ou preconceito.
Esse método criou muitos ressentimentos, mas fazia a pessoa atingir a verdade sobre si mesma.
A Maiêutica, que significa a arte de partejar, é uma referência à profissão de sua mãe e significa dar à luz ao conhecimento.
Nesta fase, por meio de novos questionamentos, Sócrates ajudava o indivíduo a “dar à luz” o conhecimento verdadeiro que já possuía dentro de si mesmo.
O conhecimento já existia dentro da própria pessoa, mas ela não sabia da existência dele, pois existia em seu inconsciente. Ao passar a ter conhecimento dele, o conhecimento passa da inconsciência para a consciência, ou seja, aumenta a consciência.
O inconsciente foi descoberto por Freud, mas Sócrates já trabalhava com ele.
A Psicologia trabalha com o diálogo para trazer o autoconhecimento, e o nome “psique”, da Psicologia, refere-se à alma ou àquilo que somos por dentro. Esse foi um nome utilizado por Sócrates; na época, era Psyché, mas hoje chamamos de psique.
Para Sócrates, conhecer a si mesmo significava cuidar da própria alma, pois a essência do ser humano reside nela. Ele defendia que uma vida sem autoexame contínuo e sem questionamento dos próprios valores não vale a pena ser vivida. O mal, segundo essa visão, decorria da ignorância e da falta desse exame interior.
Na mesma época de Sócrates, Buda e Lao-Tsé também traziam suas filosofias sobre autoconhecimento.
A de Buda, acho que superou a de Sócrates, pois é muito detalhada e trabalha com a aquisição do Nirvana, com métodos poderosos como a meditação e a atenção plena.
Mas Sócrates foi um gênio, tendo uma psicologia profunda sobre si mesmo e contribuindo fortemente com o pensamento Ocidental. E estamos estudando-o, não é verdade?
A maiêutica socrática relaciona-se diretamente com as metodologias ativas de aprendizagem na educação hoje em dia, sendo o pilar de abordagens que deixaram para trás o modelo tradicional de ensino. No modelo antigo, o professor apenas transmitia conteúdos para um aluno passivo; hoje, a maiêutica inspira o desenvolvimento da autonomia e do pensamento crítico.
Terminamos o texto com uma frase de Sócrates:
“Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os Deuses.”
Essa frase significa que, para Sócrates, o verdadeiro conhecimento vem de dentro, e é isso que forma a verdadeira sabedoria, não os conhecimentos que vêm de fora.
O conhecimento interior era tão profundo que, por meio dele, podemos conhecer os deuses e o cosmos de alguma forma, segundo Sócrates. Isso é algo místico, pois, rompendo as barreiras do nosso ego, podemos chegar à integração com o universo e o cosmos.





