O Sofrimento, o Desejo e a Iluminação

Por: Ryath
Segundo o terapeuta Paulo Tavares, o sofrimento nasce no inconsciente, onde não temos consciência do que acontece, e isso ativa o desejo. Essa ideia parece muito semelhante ao que o Budismo ensina, não é verdade?
É claro que Paulo Tavares não se refere a todos os tipos de dor, como a dor física, por exemplo, mas às dores de ordem emocional. Quando elas surgem, naturalmente não queremos senti-las. Para explicar isso, o terapeuta apresenta alguns exemplos:

  • Se estamos sozinhos e carentes, buscamos companhia.
  • Se estamos preocupados e ansiosos, desejamos segurança.
  • Se estamos tomados pelo ódio, podemos buscar vingança, o que é algo muito prejudicial, pois traz frutos kármicos.

Assim, a dor — como a solidão, a preocupação ou o ódio — desperta o desejo por aquilo que acreditamos que fará cessar nosso sofrimento.
Desse modo, podemos afirmar que grande parte do sofrimento surge porque não queremos sofrer, e esse não querer manifesta-se como desejo.
Entretanto, nem toda vontade nasce da dor. Somos seres desejantes, e existem desejos positivos, que não causam sofrimento e podem até nos libertar dele, como o desejo de atingir o Nirvana, buscar o autoconhecimento, fazer o bem, cultivar a felicidade e praticar exercícios espirituais. Essas práticas incluem desde exercícios de meditação até a leitura de temas espirituais, pois estudar assuntos que vão além do mundo físico também favorece a evolução espiritual.
Lembrando que, aqui no site, disponibilizamos muitas práticas espirituais, localizadas na página inicial, no menu à esquerda.
O Budismo ensina que, com a iluminação, não eliminamos todas as formas de sofrimento, mas superamos as principais. Também ensina que o desapego em relação ao ego nos permite sofrer muito menos com as questões pessoais.
Podemos fazer uma comparação com a limpeza de uma casa. Quando alguém diz que limpou a casa toda, normalmente isso não significa que absolutamente cada detalhe foi limpo. Geralmente não foram retirados todos os objetos dos armários, nem limpos todos os cantos, atrás da geladeira, atrás do fogão, debaixo do colchão, os dois lados do colchão, a estrutura da cama, os pequenos aparelhos elétricos, documentos, roupas e todos os demais objetos em seus mínimos detalhes. Com a iluminação acontece algo semelhante.
A iluminação nos proporciona uma paz profunda, liberdade, enorme bem-estar e uma felicidade muito grande. Passamos a olhar para diversas questões que antes nos causavam sofrimento de uma maneira diferente, e essa nova consciência nos liberta de muitas delas, embora não de todas.
A realidade é infinita, e vamos nos tornando cada vez mais iluminados. Segundo esta compreensão, esse crescimento acontece infinitamente. Primeiro alcançamos o Nirvana, depois estados ainda mais elevados, como o êxtase, e seguimos ampliando essa felicidade e tudo o que há de bom por toda a eternidade.
A iluminação não consiste em eliminar completamente o sofrimento, mas em transformar a vida em uma experiência profundamente maravilhosa, permitindo conhecer alegrias, paz e felicidades imensas, que continuam crescendo.
No Budismo existem ensinamentos segundo os quais o caminho de um Buda, de um ser iluminado, é eterno. Também se ensina que existem incontáveis portais de sabedoria pelos quais continuaremos passando, adquirindo cada vez mais conhecimento, e que existem incontáveis seres espalhados por todo o universo infinito.
Ao mesmo tempo, o Budismo também apresenta ensinamentos segundo os quais existe um limite para o autoconhecimento. Assim, encontramos duas ideias diferentes dentro da própria tradição. Segundo esta compreensão, isso é algo que pode acontecer nas religiões. A fé muitas vezes nos leva a confiar nesses ensinamentos, e diferentes tradições podem apresentar explicações distintas sobre determinados assuntos.
Quanto a nós, adotamos a visão da infinitude, pois acreditamos que ela seja a mais correta e a que apresenta mais evidências.
Não se deixe abalar pelo fato de existirem interpretações diferentes ou aparentes contradições nas religiões. Se desejar aprofundar esse tema, consulte nossa seção Ciência, Religião, Provas e Evidências.

 

Quem somos - Contato