Por: Ryath
Existe um ensinamento do Zen que diz que uma carroça só funciona quando está completa. Se faltar uma peça, como parte de uma roda, ela deixa de funcionar.
Esse ensinamento é interpretado por algumas escolas do Zen como uma indicação de que a vida não continua após a morte, pois o corpo seria como uma carroça: se faltar uma peça importante, como o coração, o pulmão ou outro órgão essencial, ele deixa de funcionar.
Nessa interpretação, a carroça representa o corpo e a mente. Se a carroça perde uma peça importante, ela deixa de existir como um conjunto funcional.
Essa interpretação pode parecer um pouco forte ou sugestiva, mas, como foi dito, trata-se de uma interpretação.
Os ensinamentos budistas, assim como os cristãos e os de muitas outras religiões, podem receber diferentes interpretações.
Chamo essa interpretação do Zen de materialista, pois ela está baseada em uma visão materialista, segundo a qual, quando a matéria deixa de existir, tudo termina: a mente, o corpo, a vida e assim por diante.
Entretanto, o ensinamento de que uma carroça não funciona sem estar completa pode ser interpretado de diversas maneiras. O próprio Budismo, incluindo diferentes tradições do Zen, possui ensinamentos sobre a continuidade da vida após a morte, como a doutrina dos Seis Reinos, por exemplo.
Segundo o Budismo, quando morremos, podemos renascer em um dos Seis Reinos, cujas características são descritas detalhadamente pelos ensinamentos budistas. Entre eles está o inferno, considerado o local mais difícil onde alguém pode renascer. Esse ensinamento apresenta semelhanças com o de muitas outras religiões que também falam sobre a vida após a morte, como a Umbanda, o Esoterismo e o Espiritismo.
Entretanto, nessas outras religiões, as descrições da vida após a morte incluem outros locais além daqueles que correspondem aos Seis Reinos.
O Budismo também ensina que, se não atingirmos o Nirvana em uma vida, poderemos retornar em outra para alcançar essa meta, que é considerada o principal e mais importante objetivo budista.
Além disso, se fosse possível atingir o Nirvana apenas em uma única vida, haveria pouco tempo para desfrutar desse estado. Dessa forma, a possibilidade de continuar a jornada espiritual torna a busca pela iluminação ainda mais significativa, pois, ao atingir o Nirvana, a vida se torna maravilhosa e essa condição pode ser vivenciada por toda a eternidade.





